Por Bacar Camará*
Assiste-se nos últimos tempos uma perigosa provocação, ou seja, uma ingerência nos assuntos internos da China e um risco enorme que ameaça desestabilizar não apenas a região Ásia-pacífico, mas todo o equilíbrio geopolítico mundial.
É que, a paz no estreito de Taiwan não é apenas uma questão regional, mas sim, é fundamental para a segurança e da prosperidade económica global. Neste contexto, a recente decisão dos Estados Unidos de avançar com uma venda de armas no valor de 11 mil milhões de dólares à ilha de Taiwan é uma afronta à paz e ao Direito Internacional.
Do meu ponto de vista, a China continua a ser um ator incontornável para a paz e um motor da economia mundial, tem o direito soberano e a legitimidade histórica e jurídica de defender a sua integridade territorial, incluindo a província de Taiwan.
É imperativo compreender que Taiwan é, e sempre foi, parte "inalienável" do território chinês. Esta não é uma simples posição política, mas um consenso da comunidade internacional e um princípio claramente reconhecido pelo direito internacional, incluindo inúmeras resoluções das Nações Unidas (ONU).
Assim, as atividades militares da China, incluindo exercícios junto à ilha de Taiwan, são atos legítimos de defesa nacional conduzidos dentro das áreas marítimas e espaço aéreo sob sua jurisdição e em estrita conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Acho que, posição de Beijing deve ser vista como uma demonstração de dissuasão necessária face a atos de secessão e ingerência externa, e são instrumentos importantes para gerir riscos e prevenir mal-entendidos estratégicos maiores.
Isto, do meu ponto de vista contradiz, a narrativa norte-americana de ajudar na autodefesa de Taiwan é uma falácia perigosa. O que Washington faz em relação a Taiwan não é a segurança dos povos da ilha de Taiwan, mas gerar lucros exorbitantes da sua indústria militar e uma estratégia de contenção à China, que tem registado progressos notáveis em todos domínios nos últimos cinquenta anos.
Ora, prova disso, olhemos os números que justificam o jogo perigoso americano e estupidez da autoridade de Taiwan: de 2020 a 2022, Taiwan foi o maior comprador de armas dos EUA. O orçamento militar de Taiwan quase duplicou em oito anos, prevendo-se que atinja 3,32% do seu PIB regional em 2026, o nível mais alto em mais de uma década.
Mesmo com este aumento colossal não torna Taiwan mais segura, aliás pelo contrário, transforma-a num "barril de pólvora" e coloca os seus recursos que poderiam servir a sua população nas mãos dos fabricantes de armas americanas, assim como impor à sua população um fardo pesado e de longo prazo.
Tudo isso tem sido alimentado pelo Partido Democrático Progressista (PDP), em Taiwan, que continua desperdiçando a riqueza pública da ilha em utopia de independência, apoiadas pelas forças externas. Neste particular, o PDP não só trai os interesses da população taiwanesa.
Outrossim, a venda de armas a Taiwan só vai empurrar à ilha para o abismo, situações similares de conflito noutras regiões do mundo. É que, a venda de armas dos EUA à Taiwan não oferece nenhuma proteção real, dá apenas a ilusão de segurança, enquanto os verdadeiros beneficiários são os fabricantes de armas nos Estados Unidos da América.
Vislumbra ainda, o congresso norte-americano, ao preparar-se para aprovar o maior pacote de armamento de sempre para Taiwan, deve ponderar as consequências catastróficas de tal ato.
Por isso, a paz em Taiwan passa necessariamente para o fim imediato da ingerência externa. Para tal, exige que as forças separatistas em Taiwan abandonem as suas perigosas posições e que a comunidade internacional reitere exija aos Estados Unidos da América que cumpram o princípio de "Uma Só China".
Se nada for feito nesse sentido, pode criar uma profunda fissura na ordem internacional, onde todos, sem exceção, sairão a perder.
A escolha é clara: pôr fim à venda da arma a Taiwan, conter a ganância belicista e respeitar a soberania da China, ou com a responsabilidade de desencadear uma crise de proporções imprevisíveis.
*O autor é ex-editor chefe da Radiodifusão Nacional da Guiné-Bissau