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Agressão à Venezuela mostra quem realmente está minando o direito internacional

Fonte: Diário do Povo Online    04.01.2026 10h13

Um navio petroleiro ancorado no Lago de Maracaibo, no estado de Zulia, Venezuela, em 23 de dezembro de 2025. (Str/Xinhua)

A incursão militar dos EUA na Venezuela e a ação contra seu presidente, Nicolás Maduro, conforme anunciado pelo governo americano, expõe mais uma vez a dependência de Washington da força unilateral para moldar resultados além de suas fronteiras.

Essa agressão também esvazia décadas de retórica americana que posicionava os Estados Unidos como guardiões das regras internacionais. Ignorando o Conselho de Segurança das Nações Unidas, Washington agiu novamente em oposição direta aos princípios do direito internacional.

O Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, um princípio fundamental do direito internacional, proíbe explicitamente o uso ou a ameaça de força contra a soberania e a integridade territorial dos Estados. Portanto, a ação contra o líder de uma nação soberana mostrou ao mundo, inequivocamente, quem é o verdadeiro transgressor do direito internacional.

A história oferece amplos precedentes. Do Iraque e da Líbia ao Panamá e Granada, os Estados Unidos usaram ou ameaçaram usar a força repetidamente sob justificativas duvidosas, muitas vezes deixando um rastro de instabilidade prolongada. A Venezuela, há muito tempo sujeita a sanções e pressão política, agora se junta a essa lista, com a diplomacia mais uma vez deixada de lado em favor da coerção militar.

A Casa Branca e uma placa de pare em Washington, D.C., Estados Unidos, em 4 de agosto de 2022. (Foto: Liu Jie/Xinhua)

O fato de essa agressão ter ocorrido na América Latina a torna ainda mais condenável. A região sofreu uma longa história de intervenção dos EUA, e a lógica por trás disso nunca desapareceu completamente.

Como observou a CNN numa análise, "No cerne dessa ação estão as ambições mais amplas de Washington por um maior controle de sua vizinhança, para o que eles chamaram de uma Doutrina Monroe atualizada".

A doutrina pode não ser mais proclamada abertamente, mas sua essência permanece intacta: o Hemisfério Ocidental ainda é tratado como a esfera de influência exclusiva de Washington.

Por suas próprias ações repetidas, Washington emergiu como uma das ameaças mais sérias à própria ordem internacional que afirma defender.

Para o resto do mundo, manifestar-se inequivocamente em defesa da soberania e do multilateralismo não é mais uma opção. É essencial evitar o retorno a um mundo onde o poder, e não a lei, decide o destino das nações.

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