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Jornalista brasileiro: Governança científica da China transforma o impossível em realidade

Fonte: Diário do Povo Online    07.01.2026 14h30

Vivendo na China há mais de uma década, o jornalista brasileiro Rafael Henrique Zerbetto percorreu diversas regiões do país e testemunhou de perto os avanços da modernização chinesa. Para ele, o traço mais marcante do desenvolvimento da China é o planejamento sistêmico, no qual políticas públicas de diferentes áreas se articulam e se reforçam mutuamente. Em suas palavras, trata-se de uma “governança cientificamente embasada, que combina teoria e prática”, capaz de transformar desafios aparentemente insolúveis em realidade concreta.

Zerbetto recorda que, ao chegar a Beijing em 2015, a poluição atmosférica era uma preocupação cotidiana. “Era rotina acordar e checar a qualidade do ar no celular”, relembra. Na época, o anúncio de que a capital teria céu azul até os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 lhe pareceu irrealista. No entanto, poucos anos depois, ele já percebia uma melhora significativa. Hoje, segundo o jornalista, a qualidade do ar em Beijing é melhor do que a de muitas metrópoles ao redor do mundo, um exemplo concreto da capacidade de execução das políticas chinesas.

Na visão de Zerbetto, a prosperidade comum é um dos pilares centrais da modernização chinesa. Ele destaca que o desenvolvimento busca não deixar ninguém para trás, beneficiando tanto áreas urbanas quanto regiões rurais e províncias menos desenvolvidas. Em um contexto global de aumento da desigualdade social, os esforços chineses para reduzi-la lhe parecem especialmente inspiradores.

Outro aspecto que chama sua atenção é a ênfase na experimentação institucional. Zonas-piloto espalhadas pelo país permitem testar novas políticas antes de sua implementação em escala nacional, acumulando experiências práticas que orientam decisões futuras. No campo tecnológico, Zerbetto observa que, diferentemente de outros países onde big data e inteligência artificial são guiados apenas pelo lucro das grandes empresas, a China conseguiu disciplinar o setor e direcionar a inovação para o benefício social, impulsionando áreas como cidades inteligentes, automação industrial e serviços públicos digitais.

Durante suas viagens, o jornalista acompanhou de perto os resultados da erradicação da pobreza e da revitalização rural. Em regiões produtoras de chá, como o distrito de Xianfeng, na província de Hubei, antes entre os mais pobres do país, ele notou mudanças profundas no cotidiano da população. “À noite, havia vida noturna ao redor do hotel, pessoas consumindo, saindo para se divertir, conversando até tarde”, relata. Para ele, essa transformação é mais eloquente do que qualquer estatística e demonstra a sustentabilidade de um modelo de combate à pobreza baseado no desenvolvimento da economia local.

Zerbetto ressalta que, na China, o combate à pobreza não se limitou ao aumento da renda. Ele foi sustentado pelas chamadas “Duas Garantias e Três Acessos”, assegurando alimentação, vestuário, educação obrigatória, serviços básicos de saúde e moradia digna. Além disso, o governo enfatizou a chamada “erradicação da pobreza espiritual”, estimulando a população a assumir um papel ativo no próprio desenvolvimento, ganhando autoconfiança por meio do trabalho.

A construção da civilização ecológica é outro ponto de destaque em suas observações. Na Mongólia Interior, Zerbetto acompanhou projetos de reflorestamento e a transformação de antigas minas de carvão em parques ecológicos. Para ele, a ideia chinesa de que “águas límpidas e montanhas verdejantes são tão valiosas quanto montanhas de ouro e prata” dialoga com saberes tradicionais das Américas e aponta para um modelo de desenvolvimento que prioriza a qualidade de vida e a responsabilidade intergeracional.

Ao refletir sobre o significado da experiência chinesa para o Sul Global, Zerbetto avalia que, embora os arranjos institucionais da China sejam específicos, muitas de suas práticas em áreas como combate à pobreza, educação, ciência, tecnologia e proteção ambiental podem ser adaptadas a outros países, desde que haja vontade política. Para ele, a grande lição da modernização chinesa está em uma governança que serve ao povo, permanece próxima da realidade local e transforma planejamento de longo prazo em resultados concretos.

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