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Neve se transforma em riqueza enquanto turistas adotam o frio na China

Fonte: Diário do Povo Online    09.01.2026 10h32

Vista aérea de show de fogos de artifício no parque temático Mundo de Gelo e Neve de Harbin, em Harbin, província de Heilongjiang, nordeste da China, em 5 de janeiro de 2026. (Foto: Wang Song/Xinhua)

Enquanto turistas entusiasmados deslizam pelo tobogã de gelo de 521 metros e tiram fotos com as espetaculares esculturas de gelo em exibição no parque temático Mundo de Gelo e Neve de Harbin, eles estão contribuindo para uma crescente indústria de gelo e neve que tem registrado números recordes na segunda maior economia do mundo.

De acordo com um relatório da Academia Chinesa de Turismo (CTA) divulgado no início desta semana, o turismo de gelo e neve na China está entrando em "uma nova fase de prosperidade sustentada", com mais de 14.000 empresas relacionadas operando no setor no final de 2025 — um aumento de 11% em relação ao ano anterior.

A economia de gelo e neve do país ultrapassou 1 trilhão de yuans (cerca de 143 bilhões de dólares) em 2025, segundo o relatório. O valor representa uma indústria quase quatro vezes maior do que os 270 bilhões de yuans registrados em 2015, de acordo com dados do setor.

O relatório foi divulgado no Fórum de Desenvolvimento do Turismo de Gelo e Neve de 2026 em Harbin, capital da província de Heilongjiang, no nordeste da China. Ele atribui esse crescimento ao aumento de produtos turísticos inovadores em toda a China, incluindo escultura em gelo, viagens temáticas e experiências fotográficas em paisagens de gelo e neve. Destinos icônicos como o Mundo de Gelo e Neve de Harbin e a estação de esqui da Montanha Changbai desempenharam um papel fundamental nesse crescimento.

O pesquisador da CTA, Han Yuanjun, disse à Xinhua que cidades do norte da China, como Harbin, Shenyang, Changchun e Zhangjiakou, que possuem recursos únicos de gelo e neve, têm buscado uma transição no crescimento do turismo, mantendo o número de turistas com serviços dedicados.

Heilongjiang — uma região industrial em envelhecimento no nordeste da China — está aproveitando seus longos invernos para impulsionar a revitalização econômica. Nos últimos anos, a indústria do turismo local tem demonstrado constantemente sua hospitalidade e cordialidade aos visitantes, com ações que envolvem desde distribuir amostras de peras congeladas, uma especialidade local, até instalar corrimãos aquecidos nas ruas comerciais. Esses esforços geraram um grande burburinho nas redes sociais, levando a um aumento no número de turistas e na receita.

No ano passado, os Jogos Asiáticos de Inverno proporcionaram mais uma plataforma oportuna para investimentos de longo prazo em infraestrutura em Harbin. A cidade modernizou as instalações esportivas com sistemas digitais, expandiu seu aeroporto e rede rodoviária e instalou tecnologia automatizada de produção de neve em importantes resorts de inverno.

Para atrair visitantes internacionais para o evento, a cidade também adicionou voos diretos, simplificou os serviços de visto e otimizou os serviços de pagamento para cartões bancários estrangeiros, o que resultou num aumento de 157% nas reservas para Harbin.

Heilongjiang está de olho num crescimento ainda maior na economia do gelo e da neve. O estado lançou o primeiro sistema de monitoramento da China que acompanha quatro setores-chave relacionados ao gelo e à neve — turismo, esportes, cultura e fabricação de equipamentos — em um esforço para fornecer dados que orientem políticas comerciais direcionadas.

A temporada de inverno de 2024-2025 registrou 135 milhões de visitas a Heilongjiang e gerou uma receita de turismo de 211,7 bilhões de yuans, com esses números representando um aumento anual de 18,5% e 30,7%, respectivamente.

Na terça-feira (6), ocorreu um diálogo mundial de prefeitos em Harbin, focado em discussões sobre os caminhos de desenvolvimento para a economia do gelo e da neve, e os convidados estrangeiros afirmara ter ficado impressionados com as práticas inovadoras de Harbin, que transformaram o frio extremo numa nova fonte de riqueza.

Andrew Knack, prefeito de Edmonton, no Canadá, disse que a cidade de Harbin desenvolveu com sucesso a indústria do gelo e da neve num setor econômico sustentável e que sua experiência de desenvolvimento vale a pena ser estudada.

Impressionado com as obras de gelo e neve que viu durante a visita a pontos turísticos da cidade, Knack disse: "Esta foi uma das experiências mais espetaculares da minha vida."

Os Jogos Olímpicos de Inverno de Beijing de 2022 foram um importante catalisador para o boom da economia de inverno na China, despertando a paixão do público por esportes de inverno e o consumo relacionado em todo o país.

O turismo de gelo e neve, que antes se concentrava no norte, agora se estende por todo o país. Além dos conhecidos centros no extremo nordeste, a região de Beijing-Tianjin-Hebei, no norte da China, bem como Xinjiang e o Planalto Qinghai-Tibete, a oeste, também são destinos populares para turistas de inverno.

O centro e o sul da China, regiões com clima mais quente em comparação com o norte, investiram pesadamente em turismo de gelo e neve, totalizando quase 54 bilhões de yuans em 2025, de acordo com a CTA (Administração Nacional de Turismo da China). Os investimentos estão sendo direcionados para grandes complexos internos de gelo e neve que operam o ano todo. Somente no ano passado, esses projetos atraíram mais de 43,7 bilhões de yuans em investimentos, resultando na construção de nove dos dez maiores parques de neve indoor do mundo.

Tang Xiaoyun, vice-presidente da CTA, observou que, impulsionada pelo turismo de gelo e neve, a China formou uma estrutura de cadeia produtiva completa, abrangendo cultura, esportes e equipamentos.

A crescente demanda por equipamentos desencadeou uma rápida resposta da base industrial chinesa no sul do país. Produtos como equipamentos de esqui de Yiwu e óculos de proteção de Ningbo agora abastecem o mercado interno.

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