
Manifestação em Teerã, Irã, em 12 de janeiro de 2026. Dezenas de milhares de cidadãos pró-governo foram às ruas em todo o Irã na segunda-feira, atendendo aos apelos das autoridades iranianas para demonstrar solidariedade. (Shadati/Xinhua)
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que seu país está pronto para a guerra, mas permanece aberto ao diálogo, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os militares americanos estão considerando "opções muito fortes" em relação ao Irã em meio aos recentes distúrbios.
Em entrevista à Al Jazeera na segunda-feira, Araghchi disse: "Se Washington quiser testar a opção militar que já testou antes, estamos prontos para isso", acrescentando que espera que os Estados Unidos optem pelo diálogo.
Ele acrescentou que as comunicações com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, "continuaram antes e depois dos protestos e ainda estão em andamento".
A entrevista de Araghchi ocorreu após a ameaça de Trump de recorrer a "algumas opções muito fortes", incluindo uma possível ação militar contra o Irã, em resposta à "repressão" iraniana contra os manifestantes. Trump disse aos repórteres no domingo que autoridades iranianas entraram em contato com os Estados Unidos para propor negociações, acrescentando que "uma reunião está sendo organizada".
Protestos eclodiram em diversas cidades iranianas desde 28 de dezembro. Inicialmente, começaram com comerciantes do bazar de Teerã protestando contra a forte desvalorização da moeda nacional, o rial, e a inflação galopante, antes de se espalharem para outras cidades. Os distúrbios resultaram em baixas tanto entre as forças de segurança quanto entre civis.

Dezenas de milhares de cidadãos pró-governo foram às ruas em todo o Irã na segunda-feira, atendendo aos apelos das autoridades iranianas para demonstrar solidariedade. (Shadati/Xinhua)
Os distúrbios alimentaram as alegações das autoridades iranianas de que os Estados Unidos e Israel podem estar por trás dos acontecimentos.
Em sua entrevista à Al Jazeera, Araghchi também explicou o motivo do bloqueio da internet no Irã após os distúrbios.
"Gravamos vozes de indivíduos dando ordens do exterior a agentes terroristas, instruindo-os a atirar contra as forças policiais ou contra os manifestantes, caso não houvesse policiais presentes. A intenção deles era espalhar mortes", disse Araghchi.