O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemoraram nesta sexta-feira a assinatura iminente do acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul e a União Europeia (Mercosul-UE), que descreveram como o maior do mundo.
Durante uma declaração conjunta à imprensa após uma reunião no Rio de Janeiro, ambos os líderes ressaltaram o alcance político e econômico do acordo, cuja assinatura está marcada para sábado em Assunção, no Paraguai, país que detém a presidência rotativa semestral do Mercosul.
Von der Leyen afirmou que a conclusão do acordo representa "uma conquista histórica", recordando que as negociações se prolongaram por mais de duas décadas.
Segundo Von der Leyen, o tratado envia uma mensagem direta aos mercados globais. "Bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior área de livre comércio. Isto impulsiona o investimento. A assinatura de amanhã será um primeiro passo, e o sucesso será medido quando as pessoas e as empresas puderem sentir rapidamente os benefícios do nosso acordo", declarou.
Por sua vez, o presidente brasileiro afirmou que o relançamento das relações com a UE tem sido uma prioridade desde o início de seu terceiro mandato e que o objetivo do acordo econômico é "promover o crescimento e a reindustrialização do Brasil".
Lula destacou que a UE e o Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo aproximadamente 720 milhões de pessoas.
Os dois líderes enfatizaram a natureza multilateral do acordo e o impulso que ele dará aos investimentos em minerais estratégicos, como lítio, níquel e terras raras, projetos que, segundo a líder europeia, não devem se tornar instrumentos de coerção.
Von der Leyen enfatizou a dimensão estratégica da cooperação em matérias-primas críticas, num momento de tensão entre os Estados Unidos e a UE devido à intenção do presidente Donald Trump de anexar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.
"Fico satisfeita por ver que o Mercosul e a UE estão a chegar a um acordo político sobre matérias-primas, o que conduzirá a projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e elementos de terras raras. Isto é fundamental para a transição limpa e digital e para avançar rumo à independência em um mundo onde os minerais acabam por se tornar um instrumento de coerção", disse a presidente da Comissão Europeia.
Por sua vez, Lula defendeu o multilateralismo e o respeito aos acordos internacionais sob os auspícios das Nações Unidas. "Esta é uma parceria baseada no multilateralismo. Reafirmamos nosso pleno respeito aos acordos internacionais firmados nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio", declarou.
Ele enfatizou que o acordo inclui incentivos para expandir os investimentos europeus e desenvolver cadeias de valor estratégicas.
O presidente brasileiro destacou ainda que o Mercosul continuará expandindo sua rede de parceiros comerciais. "Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e construir novas parcerias em todo o mundo, particularmente com o Canadá, o México, o Vietnã, o Japão e a China", afirmou.