A formulação científica e a implementação contínua dos planos quinquenais são um meio fundamental pelo qual o Partido Comunista da China governa o país e uma importante janela para a comunidade internacional compreender melhor o caminho da China rumo à modernização.
O Diário do Povo Online lançou a série "Entendendo a China", um novo programa que se concentra no 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A série examina o planejamento de desenvolvimento, as oportunidades e a abordagem de governança da China, com o objetivo de esclarecer equívocos e promover o entendimento e o reconhecimento mútuos.
Este episódio de "Entendendo a China" apresenta um diálogo entre Ji Deqiang, professor e diretor do Centro Nacional de Estudos de Inovação em Comunicação da Universidade de Comunicação da China, e Martin Lockett, professor de Gestão Estratégica da Nottingham University Business School China. A discussão explora como a autossuficiência científica e tecnológica da China influencia seu crescimento econômico e a inovação.
A China vai dominar tudo? Ao abordar as preocupações externas sobre o avanço tecnológico da China, Lockett observou que tais questionamentos decorrem, em certa medida, do sucesso chinês na indústria manufatureira e em outros setores. Ele enfatizou que a teoria da "ameaça chinesa" foi exacerbada, acrescentando que se baseia em ideias ultrapassadas ou, alternativamente, em falhas de comunicação.
Na visão de Lockett, o esforço da China para fortalecer a autossuficiência em ciência e tecnologia de alto nível representa uma resposta tanto reativa quanto proativa. Para interpretar isso, ele aplica o conceito de "ambidestria" da pesquisa em negócios internacionais: "Uma boa autossuficiência (em ciência e tecnologia) significa, por um lado, ter a capacidade de produzir produtos e serviços essenciais, e simultaneamente, ser capaz de operar sem depender absolutamente de um único local ou de um pequeno número de locais. Do mesmo modo, significa pensar que, se quisermos ter uma economia mundial realmente produtiva, precisaremos de cooperação produtiva. O desafio é fazer as duas coisas ao mesmo tempo".
Ji afirmou que a China não tem ambição de "dominar tudo". "A China tem esse senso de responsabilidade", disse Ji, observando que essa responsabilidade se reflete não apenas no desenvolvimento de uma economia digital de alta tecnologia para si própria, mas também no apoio a países em desenvolvimento, para que desenvolvam suas próprias economias digitais e compartilhem os benefícios do mercado. Para um país importante como a China, enfatizou ele, é necessário manter capacidades-chave em tecnologias essenciais para desenvolver força técnica para a segurança e mitigar riscos industriais. Porém, a autossuficiência em ciência e tecnologia não significa isolamento.
"Para a maioria das questões de mercado, acredito que a China realmente deseja buscar a colaboração internacional", acrescentou Ji. Ele enfatizou que o empenho da China em acelerar a autossuficiência em ciência e tecnologia de alto nível é tanto uma consequência da história quanto uma base para uma cooperação multilateral de maior qualidade.
Ambos os convidados apontaram vários exemplos concretos — do Projeto de Energia Eólica De Aar, na África do Sul, que ajuda a aliviar a escassez de energia local, ao Sistema de Navegação por Satélite BeiDou, compartilhado com o mundo. Desde a cooperação internacional na estação espacial chinesa, até à colaboração entre a China e outros países no setor de veículos inteligentes, fica claro que o desenvolvimento científico e tecnológico da China enfatiza a autossuficiência, mantendo-se firmemente orientado para a abertura e cooperação internacional.