Fundada em 1949, a revista Literatura do Povo é a primeira revista literária nacional da República Popular da China. Como publicação literária de grande alcance nacional, possui elevada autoridade e representatividade, tendo testemunhado e impulsionado o desenvolvimento da literatura chinesa contemporânea. A Lume tornou-se a décima edição da Literatura do Povo em língua estrangeira.

A edição em português adotou o título Lume, termo que remete a chama, luz ou claridade e que, por extensão, evoca a ideia de orientação — como um farol ao longo da jornada da vida. O nome simboliza o desejo de iluminar o caminho dos leitores por meio de experiências humanas diversas e de inspirar seus corações com sabedoria. A escolha reflete não apenas o calor humanista da literatura chinesa, mas também a expectativa de que a sua luz brilhe no mundo lusófono, promovendo o conhecimento mútuo entre civilizações.
O diretor editorial (língua portuguesa) da revista Lume, Giorgio Sinedino, professor assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Macau, destacou que a equipe de tradução reúne profissionais de alto nível da China, do Brasil e de Portugal. Profundamente enraizados na tradução literária e proficientes em ambas as línguas, os tradutores seguiram de forma consistente o princípio da “autenticidade inovadora”, preservando a profundidade intelectual, a sutileza estilística e o impacto emocional dos textos originais, ao mesmo tempo em que respeitam os hábitos de leitura e as preferências estéticas do público lusófono.
O primeiro número da revista orbita em torno do tema “vida”, um dos temas literários mais significativos da humanidade. Sob a égide de Mo Yan, o primeiro escritor chinês agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, a edição reúne contos de Liang Xiaosheng, Dongxia Qingqing, Suonan Cairang, Chen Chuncheng e Yang Zhihan, além de ensaios de Wu Zhiliang e Chen Cang e poemas de Zhai Yongming e Yao Feng.
Os textos expressam a reflexão e a exploração artística dos escritores e poetas chineses sobre esse tema central, ao mesmo tempo que apresentam um panorama plural e diversificado da literatura chinesa contemporânea.
O presidente da Federação das Associações Culturais de Macau, Wu Zhiliang, ressaltou que Macau desempenha um papel insubstituível no intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente. Segundo ele, Lume não apenas abre uma nova janela para o mundo lusófono compreender a literatura e a cultura chinesas, como também reforça o valor de Macau enquanto plataforma de mediação cultural, impulsionando a difusão da literatura chinesa contemporânea para mais países de língua portuguesa por meio desse importante “posto de passagem cultural”.