Quando os principais órgãos consultivo político e legislativo da China se reunirem esta semana para suas sessões anuais, o principal item de suas agendas será um esboço do 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A história mais profunda, no entanto, reside em como esses encontros evoluíram para um mecanismo através do qual a liderança do país traduz sua visão estratégica em governança operacional e resultados concretos.
Desde o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, em 2012, o Secretário-Geral do Comitê Central do PCCh, Xi Jinping, participou de deliberações e intercâmbios com deputados da Assembleia Popular Nacional (APN) e membros do Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh) por mais de 60 vezes, guiando a trajetória da modernização da China.
A ênfase dada por Xi, durante esses encontros, ao desenvolvimento de alta qualidade, ao crescimento impulsionado pela inovação e à governança centrada nas pessoas, forneceu uma estrutura política consistente que ajudou a China a navegar em um ambiente global volátil, assegurando o crescimento e a estabilidade.
O PIB da China ultrapassou 140 trilhões de yuans (US$ 20,4 trilhões) no ano passado, em meio a interrupções na cadeia de suprimentos e crescentes tensões geopolíticas — evidência de um sistema que priorizou a resiliência e a modernização estrutural em detrimento de estímulos de curto prazo.
O que distingue a participação de Xi nas Duas Sessões é seu foco no detalhe. Xi tem comunicado amplamente com deputados da APN e membros do Comitê Nacional da CCPPCCh sobre produtividade industrial, renda rural, serviços de assistência a idosos, recuperação ambiental, desenvolvimento de talentos, etc. Esse ciclo de feedback do micro ao macro é eficaz para fortalecer a comunicação entre a liderança e pessoas de todos os quadrantes da sociedade.
Quando um gerente de siderúrgica relata que as atualizações digitais aumentaram a produtividade, ou um assistente social comunitário descreve a melhoria dos serviços de assistência a idosos após a implementação de políticas específicas, esses exemplos se tornam dados relevantes em um esforço mais amplo para recalibrar as prioridades nacionais rumo à qualidade, eficiência e equidade no desenvolvimento socioeconômico do país.
Um tema que emergiu da participação de Xi nessas discussões é a primazia atribuída ao desenvolvimento de alta qualidade. Sua afirmação de que, sem desenvolvimento de alta qualidade, não pode haver modernização socialista, reflete um conceito familiar aos economistas: o crescimento que depende de retornos decrescentes, degradação ambiental ou alavancagem excessiva é autolimitante.
Ao instar as autoridades em vários níveis a desenvolverem novas forças produtivas de qualidade, ao mesmo tempo que modernizam as indústrias tradicionais, a liderança buscou promover a difusão tecnológica e a modernização industrial, em vez da desindustrialização prematura.
Os resultados são visíveis em múltiplos setores. A inteligência artificial e a manufatura avançada estão remodelando os modelos de produção, enquanto os avanços na ciência dos materiais e em equipamentos de energia estão reduzindo a dependência de insumos estrangeiros. Esses desenvolvimentos sugerem uma estratégia pragmática para ascender na cadeia de valor, preservando e otimizando a base industrial do país.
Os apelos de Xi para aprimorar os mecanismos de formação de talentos e alinhar a educação às necessidades econômicas refletem o reconhecimento de que o capital humano é a base para esses esforços. O desenvolvimento de academias nacionais de engenharia, centros universitários de transferência de tecnologia e parcerias entre indústria e educação indica uma tentativa de institucionalizar essa ligação. Em termos econômicos, a China busca internalizar os benefícios indiretos da inovação, integrando pesquisa, produção e desenvolvimento de habilidades em um ecossistema político unificado.
Igualmente notável é o foco constante nos meios de subsistência das pessoas. Os diálogos de Xi com agricultores, trabalhadores migrantes, funcionários públicos de base e pesquisadores sobre o combate à pobreza, revitalização rural, emprego e cuidado com os idosos reforçam o princípio de priorizar as pessoas nas políticas públicas do país.
A transformação de vilarejos outrora empobrecidos por meio de infraestrutura, comércio eletrônico e ecoturismo, e a expansão de serviços comunitários para idosos, ilustram uma mudança da segurança de subsistência para a melhoria da qualidade de vida. Tudo isso está alinhado com o objetivo de promover a prosperidade comum, a qual equilibra eficiência com equidade e justiça social.
A política ambiental oferece outra perspectiva para avaliar a agenda de modernização. O conceito de que águas cristalinas e montanhas exuberantes são recursos inestimáveis foi operacionalizado por meio da restauração ecológica em todo o país, da implantação de energias renováveis e do controle da desertificação. Regiões antes definidas pela degradação ambiental são agora exemplos no que concerne a energia solar, ecoturismo e agricultura sustentável, o que sugere que a gestão ambiental está sendo integrada aos modelos de crescimento local, ao invés de ser tratada como uma restrição externa.
O envolvimento de Xi com os legisladores nacionais e assessores políticos nas Duas Sessões desde 2012, destaca a forma como o país alinha a boa governança com a transformação econômica e o bem-estar social na busca pela modernização nacional.