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Presidente brasileiro critica gastos com armamentos e pede priorização do combate à fome no mundo

Fonte: Xinhua    05.03.2026 13h25

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira as potências globais por priorizarem guerras e gastos com armamentos em detrimento da segurança alimentar, afirmando que erradicar a fome é uma meta alcançável, porém prejudicada pela "falta de comprometimento".

"Se pegássemos o dinheiro gasto no ano passado com armas e conflitos -- o equivalente a 2,7 trilhões de dólares -- e o dividíssemos entre as 630 milhões de pessoas que sofrem de fome no planeta, teríamos o suficiente para distribuir 4.285 dólares para cada pessoa", enfatizou Lula.

A declaração foi feita na abertura da reunião ministerial da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe.

O evento está sendo realizado no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília, para definir as prioridades para 2026 e 2027, com foco central no combate à fome e à desnutrição na região.

O encontro reúne ministros, autoridades e representantes de países da América Latina e do Caribe. O Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, e o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que atua como copresidente da conferência, estão presentes.

Lula lamentou que os países mais poderosos estejam se concentrando na defesa e no desenvolvimento de novas tecnologias de destruição, enquanto a ONU parece estar perdendo relevância.

"Todos acham que os conflitos vão piorar, e todos querem mais armas, todos querem mais bombas atômicas, todos querem mais drones, todos querem caças cada vez mais caros. E nada disso está sendo feito para construir ou produzir alimentos", afirmou.

Lula usou a experiência de seu país como prova de que é possível reverter a crise alimentar, mencionando que o Brasil foi retirado do Mapa da Fome em 2014 e apresentou progressos significativos desde seu retorno ao poder em 2023.

Ele lembrou que a América Latina e o Caribe continuam sendo áreas de grande injustiça, apesar de seus imensos recursos naturais.

"Não é justo que, 525 ou 533 anos após sua descoberta, ainda vivamos como uma das regiões mais pobres e injustas do planeta. Quando havia ouro, eles levaram nosso ouro. Quando havia prata, eles levaram nossa prata", lembrou.

"Quando vamos acordar e dizer que não queremos submissão?", enfatizou, lembrando que a América Latina é a única zona de paz no planeta.

"Cuba não passa fome porque não sabe produzir. Cuba não passa fome porque não sabe gerar sua própria energia. Cuba passa fome porque não querem que Cuba tenha certas coisas às quais todos deveriam ter direito", enfatizou.

O líder brasileiro questionou as limitações impostas pelo mercado financeiro e por instituições internacionais como o FMI, e criticou economistas e a mídia por se obcecarem com o déficit fiscal, ignorando a realidade social.

"Para eles, os pobres não existem, os problemas não existem; em outras palavras, vamos colocar o fardo sobre os pobres, que eles paguem o preço", declarou.

Lula concluiu seu discurso questionando a eficácia da ONU diante dos conflitos atuais, como a guerra na Ucrânia ou a situação em Gaza, afirmando que "a ONU está se desacreditando" ao ceder ao "fatalismo dos senhores da guerra" e reiterou que o problema da fome persistirá enquanto os pobres permanecerem "invisíveis aos olhos das máquinas burocráticas e dos chefes de Estado".

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