Por Hewenping
O presidente moçambicano Daniel Chapo realizou uma visita de Estado à China entre os dias 16 e 22 de abril, tornando-se o primeiro chefe de Estado africano a realizar uma visita de Estado à China neste ano.
O presidente chinês Xi Jinping e seu homólogo de Moçambique concordaram em elevar as relações bilaterais ao patamar de uma "Comunidade China-Moçambique com Futuro Compartilhado na Nova Era", sinal evidente do alto grau de alinhamento entre as duas nações no que tange às suas filosofias e estratégias de desenvolvimento, e de que o relacionamento entre elas se tornou um modelo para a amizade China-África e para a cooperação Sul-Sul.
Após as conversações, os dois chefes de Estado testemunharam a assinatura de mais de 20 documentos de cooperação, abrangendo áreas como a construção conjunta da iniciativa "Cinturão e Rota", a implementação da Iniciativa de Segurança Global, as relações econômicas e comerciais, e os intercâmbios culturais e interpessoais, entre outros, marcando um momento histórico em que as relações China-Moçambique ascenderam a um novo patamar.
A China e Moçambique compartilham um elevado grau de alinhamento no que tange às suas filosofias e estratégias de desenvolvimento. Moçambique endossa e apoia plenamente a visão da China de uma Comunidade com Futuro Compartilhado para a Humanidade, suas quatro principais iniciativas globais e a Iniciativa do Cinturão e da Rota.
O lado moçambicano acredita que esses conceitos têm dado contribuições significativas para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento globais, e coloca-se pronto para trabalhar conjuntamente com a China na sua implementação, tornando, assim, o mundo um lugar melhor.
O país africano atribui grande importância ao seu relacionamento com a China e defende incondicionalmente o princípio de Uma Só China. Por sua vez, a China estabeleceu relações diplomáticas com Moçambique imediatamente após a independência deste último, em 1975. Ao longo das últimas cinco décadas, a amizade tradicional entre a China e Moçambique resistiu ao teste da história e transcendeu montanhas e mares.
A China e Moçambique possuem economias altamente complementares e desfrutam de amplas perspectivas de cooperação. Este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China. Por sua vez, Moçambique formulou seu Plano Quinquenal 2025–2029 e sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, delineando uma visão econômica centrada na redução da pobreza e na concretização de um desenvolvimento estrutural e inclusivo.
A Declaração Conjunta sobre a Formação de uma Comunidade com Futuro Compartilhado China-Moçambique na Nova Era detalha os princípios a serem defendidos e as ações a serem empreendidas por ambas as partes na implementação das quatro principais iniciativas globais.
Ambos países pretendem fortalecer o alinhamento de suas estratégias de desenvolvimento, inovar nos modelos de cooperação e explorar novos caminhos para uma cooperação integrada nas áreas de infraestrutura, energia e desenvolvimento de recursos minerais. Além disso, planejam cultivar ativamente novas áreas de crescimento, tais como novas energias e inteligência artificial, para impulsionar o desenvolvimento sustentável e de alta qualidade da cooperação pragmática entre as duas nações.
O escopo da cooperação entre a China e Moçambique está em contínua expansão, migrando de setores tradicionais para áreas emergentes. O desenvolvimento de infraestrutura e a modernização agrícola há muito se consolidaram como pilares tradicionais da cooperação sino-moçambicana, uma vez que empresas chinesas em Moçambique empreenderam inúmeros projetos de infraestrutura emblemáticos, melhorando significativamente as condições de vida e a logística locais.
A Ponte de Maputo-Katembe, construída pela China Road and Bridge Corporation, que atravessa a Baía de Maputo funciona como uma importante artéria de transporte e marco urbano. Ela detém também a distinção de ser a ponte suspensa com o maior vão central da África. Ao reduzir o tempo de travessia da baía de quatro a cinco horas para apenas cinco a dez minutos, tornou-se conhecida entre a população local como a "Ponte dos Sonhos".
O Parque Agrícola Wanbao, localizado na cidade de Xai-Xai, na província moçambicana de Gaza, apoiado pelo Fundo de Desenvolvimento China-África, estabeleceu uma parceria com agricultores locais para o cultivo de arroz. Essa iniciativa impulsionou uma melhoria significativa na produtividade agrícola e aumentou a eficiência do uso da terra em aproximadamente dez vezes.
A cooperação entre a China e Moçambique está prevista para continuar se expandindo em setores emergentes, como a economia digital e a energia verde. De acordo com estatísticas da Alfândega Chinesa, o volume do comércio bilateral entre a China e Moçambique atingiu US$ 5,4 bilhões em 2025, representando um aumento anual de 4,2%.
Tanto a China quanto Moçambique estão comprometidos em promover uma relação de reforço mútuo entre as políticas de tarifa zero e os objetivos de Moçambique, especificamente, a expansão das exportações, a atração de investimentos e a criação de empregos, impulsionando, assim, a cooperação em campos emergentes, tais como as indústrias verdes e o comércio eletrônico.
No setor de energia limpa, as duas partes planejam fortalecer os intercâmbios técnicos e a colaboração em projetos de fontes de energia renovável, incluindo energia solar e eólica, para apoiar a transição energética de Moçambique. Já no âmbito da economia digital, os esforços serão direcionados para o avanço do desenvolvimento da infraestrutura digital de Moçambique. A cooperação em áreas como governo eletrônico e cidades inteligentes já se encontra em curso.
Tanto a China quanto Moçambique pretendem trabalhar juntas para aproveitar as oportunidades históricas apresentadas pela nova onda de revolução tecnológica e transformação industrial. Seus esforços se concentrarão no desenvolvimento verde, digital e inteligente para impulsionar o crescimento endógeno de Moçambique, ao mesmo tempo que expandem para uma cooperação China-África de alta qualidade e constroem conjuntamente uma comunidade China-Moçambique com um futuro compartilhado na nova era.
(A autora é pesquisadora do Instituto de Estudos da Ásia Ocidental e da África (ACCS)/Instituto China-África, Academia Chinesa de Ciências Sociais)