Enquanto a brisa marítima perpassa os becos de telhas vermelhas da Ilha de Gulangyu, em Xiamen, província de Fujian, no sudeste da China, e as buganvílias balançam no topo dos muros, esta ilha não só abriga um século de elegância, como é também uma infinita fonte de inspiração poética.
Três jovens, unidos pela poesia, escreveram seus próprios versos aqui, dando nova vida ao espírito poético da ilha na era moderna.
"Eu trouxe alguns elementos ficcionais da poesia para a vida real". Yan Fei, um poeta que vive na Ilha de Gulangyu há mais de uma década, abriu pequenas lojas chamadas "Nie Xiaoqing" e "Qi Xiaojie" como uma homenagem à poesia. Ele também idealizou o "Encontro de Poesia das Cidades Gêmeas", o "Encontro de Poesia de Fujian" e a primeira Exposição de Poesia de Gulangyu no Pátio Yangtao.
Aos olhos de Yan, "cada recanto de Gulangyu é poesia", e sob sua pena, o rio Lujiang "assemelha-se a uma cauda de cavalo, suas águas cintilantes fluindo suavemente para o mar". Para ele, a poesia é um canal para as emoções da juventude e uma fé entrelaçada no cotidiano, enquanto o apoio de sua família lhe proporciona a base mais sólida para essa paixão. Ele afirma que a poesia jamais o abandonará e que os momentos fluidos da vida são a própria poesia.
Li Huai, um jovem professor, constrói uma ponte para a poesia através da recitação. Desde ser tocado pelo charme vocal de "Dizendo Adeus a Cambridge Novamente" até contemplar as luzes da cidade de Xiamen das praias de Gulangyu, ele encontrou uma forma de expressão na tranquilidade da ilha. "Acredito que cada época precisa profundamente de poesia, e que a poesia é essencial".
Na visão de Li, a recitação de poesia é uma "recriação", injetando a própria compreensão e sentimentos, ao mesmo tempo que respeita a obra original. Ele observa que a poesia é um meio expressivo muito adequado para os mais introvertidos, permitindo que emoções dispersas encontrem ressonância. A serenidade e a inclusão de Gulangyu combinam perfeitamente com sua reflexão interior de que "o mar representa a esperança e a ilha representa o pertencimento", permitindo que um espírito poético floresça naturalmente em uma era ruidosa.
Bezokiny Irinya Narah, mestranda de Madagascar na Faculdade de Língua e Cultura Chinesa da Universidade de Huaqiao, captou a verdadeira essência da poesia por meio de encontros interculturais. O poema "Uma Alameda na Chuva" a ajudou a descobrir a si mesma através da poesia chinesa.
Na Ilha de Gulangyu, Narah experimenta a pura tranquilidade da coexistência harmoniosa entre a humanidade e a natureza e percebe o poder transcendente da poesia — ela não é meramente uma liberação de emoções, mas um elo para explorar a si mesmo e se conectar com o mundo.
O som das ondas permanece; o encanto da poesia persiste. Na Ilha de Gulangyu, a poesia nunca esteve longe da vida. Escondida nas ondas e integrada às ruas, ela serve como um farol espiritual para todos que caminham com a poesia, ajudando-os a pacificar suas almas e a perseguir seus sonhos.