
Pessoas compram vegetais frescos num supermercado no condado de Pingyi, na província de Shandong, leste da China, em 10 de abril de 2026. (Foto: Wu Jiquan/Xinhua)
A inflação ao consumidor da China ampliou sua recuperação moderada em abril, sustentada por uma demanda robusta por viagens na primavera e pelo aumento dos preços da energia, num sinal de que a demanda interna continua melhorando e a recuperação econômica mais ampla permanece no rumo certo.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do país, principal indicador da inflação, subiu 1,2% em termos anuais em abril, um aumento mensal de 0,2%, de acordo com dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) na segunda-feira (11).
O núcleo do IPC, que exclui os preços de alimentos e energia, também registrou alta de 1,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme indicaram os dados.
Na comparação mensal, o IPC avançou 0,3% em abril, revertendo a queda de 0,7% observada em março e superando o nível sazonal em 0,4%
Dong Lijuan, estatística do DNE, atribuiu o aumento, em parte, à maior demanda por viagens durante o feriado do Festival Qingming, o feriado do Dia do Trabalho e as pausas de primavera em algumas regiões, citando uma alta anual de 3,7% nos preços dos serviços relacionados a viagens no mês passado.
Paralelamente, os preços dos bens de consumo industrial subiram 3,5%, com a gasolina e as joias de ouro registrando aumentos particularmente notáveis, disse Dong.
Além disso, os preços dos serviços também aumentaram 0,9% em termos anuais em abril, alta mensal de 0,1%. Dentre eles, os preços dos serviços médicos e educacionais subiram 3,4% e 0,5%, respectivamente, segundo Dong.
O DNE informou ainda que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) da China, que mede os custos das mercadorias na porta da fábrica, subiu 2,8% em termos anuais em abril e, na comparação mensal, registrou alta de 1,7%.
Os números mais recentes reforçam os sinais de uma recuperação contínua no mercado consumidor da China. Xing Yuguan, pesquisador do Centro Estatal de Informações (SIC, na sigla em inglês), afirmou que as medidas de política governamental, incluindo o programa de troca de bens de consumo, ajudaram a consolidar o ímpeto de recuperação e a estimular ainda mais a vitalidade do consumo.
Indicadores antecedentes divulgados no domingo pelo SIC mostraram que o consumo de bens na China cresceu 2,7% em termos anuais no mês de abril, com uma expansão robusta nos setores de eletrônicos e bens de consumo diário.
Dados do setor privado também apontaram para uma melhora no sentimento do consumidor. Robert Wu, CEO da BigOne Lab, uma empresa de pesquisa de mercado e serviços de informação, disse que o preço médio de venda dos produtos do KFC vinha caindo há mais de dois anos, mas a tendência começou a se estabilizar no quarto trimestre de 2025.
Quando as tendências de preços começam a mudar nas principais redes de restaurantes, isso é frequentemente um sinal precoce de uma recuperação mais ampla, observou Wu.
Dados oficiais divulgados anteriormente mostraram que as vendas no varejo de bens de consumo, um importante indicador da força do consumo, subiram 2,4% em termos anuais no primeiro trimestre de 2026, acelerando 0,7% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.
Especialistas acreditam que o mercado consumidor da China não está apenas se recuperando, mas também passando por um processo de aprimoramento, com os gastos orientados por experiências surgindo como um novo vetor de crescimento. Durante o feriado de cinco dias do Dia do Trabalho, no início deste mês, o número de viagens inter-regionais de passageiros em todo o país atingiu quase 1,52 bilhão, com uma média diária superior a 300 milhões, estabelecendo um recorde para esse mesmo período festivo.
A confiança do consumidor está retornando gradualmente e se tornará um motor ainda mais forte para o crescimento futuro dos gastos, concluiu Wu.