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Das memórias rurais à literatura mundial: Mo Yan compartilha no Brasil sua trajetória criativa

Fonte: Diário do Povo Online    19.05.2026 10h22

No dia 13 de maio, o escritor chinês Mo Yan participou, a convite da Universidade Estadual Paulista, da série de atividades de intercâmbio humanístico China-América Latina do “Dia da Literatura Chinesa”.

Segundo a mídia brasileira, na cerimônia de abertura do fórum em comemoração aos 50 anos da universidade, Mo Yan compartilhou sua compreensão sobre a literatura e sua experiência pessoal de criação. O influente escritor chinês no cenário da literatura mundial não apenas revisitou sua trajetória literária, como também apresentou a profunda herança cultural e a tradição narrativa singular da literatura chinesa.

Mo Yan participa de atividades do “Dia da Literatura Chinesa”, a convite da Universidade Estadual Paulista.

Mo Yan afirmou que uma grande obra literária não depende de uma linguagem sofisticada, mas da capacidade de despertar experiências sensoriais, ressonância emocional e imagens vívidas nos leitores. Elementos como rios, florestas e aromas presentes nas obras não são apenas descrições da natureza, mas símbolos da passagem do tempo, da expressão dos sentimentos dos personagens e das mudanças do destino.

“A literatura não precisa ser construída com palavras complexas, mas deve transmitir sensações da forma mais direta possível, permitindo que o leitor veja, sinta o cheiro e perceba até a vitalidade da história por meio das palavras”, afirmou. Para ele, a força da literatura não está apenas em narrar fatos, mas em estimular a percepção e a imaginação do leitor, fazendo da escrita uma ponte para a experiência da vida.

Ao falar sobre sua trajetória pessoal, Mo Yan afirmou que o ambiente familiar e as experiências de crescimento influenciaram profundamente sua criação literária. Ele explicou que seu pseudônimo “Mo Yan” significa “não falar”. Enquanto jovem, costumava conversar sozinho e, por isso, era visto como alguém estranho pelas pessoas ao redor. O pseudônimo lhe deu espaço para manter a independência de pensamento e a liberdade interior.

Sua vivência no campo não apenas moldou sua aguçada capacidade de observação, mas também fez com que incorporasse naturalmente em suas obras a vida rural, os costumes populares e as memórias do interior. Durante o fórum, ele destacou especialmente a importância da tradição oral para a criação literária.

O autor afirmou que, na infância, via os camponeses transmitirem informações e entreterem os vizinhos por meio de histórias e apresentações improvisadas. Essa tradição oral não só servia como forma de transmissão cultural, como também moldou seu estilo narrativo único. Até hoje, ele preserva em sua escrita o ritmo e a expressividade típicos da linguagem coloquial.

O fórum, organizado pela Editora Unesp, segue até o dia 15 de maio e reúne importantes nomes da literatura e do pensamento contemporâneo. Os jovens escritores chineses Suo Nancairang e Yang Zhihan também foram convidados para o evento. O objetivo do fórum é discutir a diversidade da literatura e seu impacto social, além de proporcionar aos leitores a oportunidade de dialogar diretamente com escritores internacionais.

A mídia brasileira avaliou que o discurso de Mo Yan não apenas ajudou o público presente a compreender de forma mais intuitiva sua visão criativa, mas também demonstrou o valor singular da literatura chinesa no intercâmbio cultural global.

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