He Wenping
Recentemente, “A Canção da Mina de Cobre de Chambishi” viralizou nas redes sociais. Com forte influência musical africana e uma melodia contagiante, a canção ultrapassou rapidamente a marca de 100 milhões de visualizações e foi elogiada por muitos internautas como “mais empolgante do que um hino de Copa do Mundo”.

O sucesso da música também colocou os holofotes sobre a Mina de Cobre de Chambishi, na Zâmbia, um importante projeto de investimento do grupo chinês CNMC. A canção, criada com auxílio de inteligência artificial pelo vice-gerente-geral chinês da mina, Xu Laixiang, e interpretada por trabalhadores zambianos, conta a trajetória de desenvolvimento da mina e aproxima o público de uma história pouco conhecida da cooperação sino-africana.
Localizada na província de Copperbelt, a mina iniciou suas atividades em 1960, mas teve as operações interrompidas em 1986 devido à baixa eficiência e ao atraso tecnológico. Em 1998, a CNMC assumiu a mina por meio de uma licitação internacional e investiu mais de US$ 1,6 bilhão em modernização e recuperação operacional, devolvendo vitalidade ao projeto.
Nas últimas duas décadas, a mina gerou mais de 6.200 empregos locais, contribuiu com US$ 578 milhões em impostos e impulsionou melhorias em infraestrutura, educação, saúde e serviços comunitários na região.
A partir desse projeto, a China também estabeleceu na Zâmbia sua primeira zona de cooperação econômica e comercial no continente africano. Até 2025, a área já havia atraído mais de US$ 2,5 bilhões em investimentos, reunido cerca de 100 empresas e criado mais de 10 mil empregos locais, além de contribuir com mais de US$ 1 bilhão em receitas tributárias. O empreendimento acabou se tornando uma referência da cooperação industrial entre a China e a África.
A Mina de Chambishi e sua zona de cooperação representam um retrato da parceria econômica sino-africana. Atualmente, as zonas chinesas de cooperação econômica e comercial já estão presentes em diversos países africanos, como Zâmbia, Nigéria e Egito, formando modelos relativamente consolidados nas áreas de manufatura, logística, comércio e aproveitamento de recursos.
Na Nigéria, a Zona Franca de Lekki atraiu 119 empresas e mais de US$ 3 bilhões em investimentos. No Egito, a Zona de Cooperação Econômica e Comercial de Suez tornou-se um dos principais projetos vinculados à Iniciativa Cinturão e Rota. Já na Etiópia, a Zona Industrial Oriental, voltada para a indústria leve, contribui para o avanço da industrialização local.
Uma simples canção acabou revelando, de forma bastante simbólica, o verdadeiro significado da cooperação China-África. A transformação da Mina de Chambishi — de uma mina abandonada em um polo de desenvolvimento — demonstra o esforço das empresas chinesas em construir uma presença duradoura no continente africano com foco em benefícios mútuos.
Com o avanço do 15º Plano Quinquenal da China, a cooperação sino-africana tende a entrar em uma etapa mais profunda. Entre as prioridades estão a criação de novos polos de crescimento industrial, o fortalecimento das cadeias produtivas, o apoio às pequenas e médias empresas e a ampliação da cooperação em tecnologia digital.
Ao mesmo tempo, espera-se que as exportações africanas para a China reduzam gradualmente a dependência de recursos naturais e avancem para formas mais sofisticadas de cooperação industrial.
Nos próximos anos, a China deverá ampliar na África os investimentos em capital, cadeias de suprimentos, tecnologia digital e modelos industriais já consolidados, aprofundando a cooperação em áreas como energia limpa, novas fontes energéticas e economia digital.
A expectativa é que mais histórias de sucesso da cooperação China-África ganhem projeção internacional, mostrando que a amizade e a colaboração entre os dois lados continuam produzindo resultados concretos e frutíferos.
(A autora é pesquisadora do Instituto de Estudos da Ásia Ocidental e da África vinculado à Academia Chinesa de Ciências Sociais.)