
Policiais em serviço no Hotel Shangri-La, local onde foi realizado o Diálogo de Shangri-La 2026, em Singapura, em 29 de maio de 2026. (Foto de Then Chih Wey/Xinhua)
O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, afirmou neste domingo que o país ampliará ainda mais sua cooperação em equipamentos de defesa e tecnologia militar com nações da região. Segundo observadores, essas declarações poderão aumentar as tensões regionais e elevar os riscos de corrida armamentista e conflitos.
Durante o Diálogo Shangri-La 2026, principal fórum asiático sobre defesa e segurança, Koizumi promoveu uma nova versão da estratégia “Indo-Pacífico Livre e Aberto”, destacando que o Japão assumirá um “novo papel” na cooperação regional em equipamentos de defesa.
O discurso ocorreu em um momento em que o Japão continua acelerando uma importante mudança em sua postura de segurança do pós-guerra, por meio do aumento dos gastos militares, do aprofundamento da cooperação militar com aliados e parceiros e da flexibilização das restrições à exportação de armamentos.
Observadores destacaram que essa evolução tem alimentado preocupações entre países da região de que Tóquio esteja se afastando cada vez mais de sua tradicional orientação pacifista e caminhando para um papel militar mais assertivo.

Manifestantes seguram cartazes durante um protesto em frente ao prédio da Dieta Nacional, em Tóquio, Japão, em 29 de maio de 2026. (Jia Haocheng/Xinhua)
Eng Kok Thay, secretário de Estado do Conselho de Ministros do Camboja, afirmou que o acelerado fortalecimento militar do Japão merece atenção tanto dos países vizinhos quanto da comunidade internacional. Segundo ele, essas medidas podem acelerar a expansão militar japonesa, aumentar as tensões na região Ásia-Pacífico e desencadear uma corrida armamentista capaz de ameaçar a estabilidade regional.
Kiyoshi Sugawa, pesquisador sênior do Instituto da Comunidade do Leste Asiático do Japão, declarou que, ao permitir maior flexibilidade nas exportações de armamentos — inclusive para países envolvidos em conflitos —, o Japão corre o risco de abandonar a imagem de nação pacífica que construiu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Tharakorn Wusatirakul, presidente do Instituto Iniciativa Cinturão e Rota para Pesquisa e Desenvolvimento Econômico e Educacional da Tailândia, alertou que a intensificação da competição militar pode aprofundar a desconfiança estratégica e aumentar o risco de erros de cálculo entre os países.
Ele enfatizou que a paz, a cooperação e a confiança mútua devem continuar sendo os princípios centrais da arquitetura de segurança regional.
Em resposta ao anúncio da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sobre a nova versão do conceito “Indo-Pacífico Livre e Aberto”, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que, sob o pretexto de “liberdade e abertura”, o Japão estaria, na prática, promovendo confrontos entre blocos e formando círculos exclusivos de cooperação.
Lin acrescentou que as relações entre os países não devem ser direcionadas contra terceiros nem prejudicar seus interesses. Segundo ele, as ações do Japão vão contra o desejo compartilhado pelos países da região e pela comunidade internacional de promover paz, o desenvolvimento e a cooperação.