
Um turista estrangeiro filma no Parque do Templo do Céu, em Beijing, capital da China, em 2 de maio de 2026. (Ju Huanzong/Xinhua)
"À noite na China, minha maior preocupação ao sair é a enorme quantidade de petiscos saborosos nos mercados noturnos — o risco de ganhar peso".
Entre risadas, Tatiana Kucherova, de 31 anos e natural da Rússia, resumiu o que ela chama de verdadeiro risco de viver em Guiyang, capital da província de Guizhou, no sudoeste da China.
Tatiana chegou a Guiyang em 2016 para estudar chinês na Universidade de Guizhou. Mais tarde, concluiu o mestrado, conseguiu um emprego e decidiu fixar residência na cidade.
"Guiyang é um ótimo lugar para viver", disse ela. "O ritmo de vida é agradável e a vida noturna é vibrante".
Ela e o marido costumam sair para comer churrasco à noite, enquanto as saídas com amigos frequentemente terminam em bares locais. No entanto, o que mais a impressiona é a sensação de segurança.
"Nos bares daqui, posso deixar meus pertences na mesa sem me preocupar que alguém vá levá-los", afirma. "Isso me traz uma enorme tranquilidade".
Tatiana compartilha regularmente fotos e vídeos da província de Guizhou nas redes sociais. "Ao verem as postagens, muitos dos meus amigos no exterior incluíram o destino em seus destinos de viagem", contou.
Histórias semelhantes tornaram-se comuns entre visitantes internacionais em toda a China. À medida que as viagens internacionais para a China ganham popularidade — impulsionadas pela expansão de políticas de isenção de visto, pela melhoria dos serviços de recepção de turistas e pelo aprimoramento das instalações públicas em geral —, muitos viajantes estrangeiros descobrem um nível de segurança que lhes permite explorar o país livremente.
Por meio de fotos e vídeos, eles compartilham cada vez mais cenas cotidianas que encontram na China: comerciantes cochilando tranquilamente em lojas à beira da estrada, malas deixadas sem supervisão e intocadas em espaços públicos, e a liberdade de sair sozinho à noite sem preocupações.
Ana, uma estudante espanhola que vive em Beijing, trouxe recentemente três amigos para suas primeiras viagens à China. O grupo passou os dias tirando fotos em movimentados distritos comerciais de Shanghai, no leste da China, sem se preocupar com seus pertences.
"Sinto-me totalmente tranquila aqui", disse Ana. "Mesmo caminhar sozinha tarde da noite não me deixa nervosa".
O que pode parecer rotina para muitos moradores chineses aborda uma preocupação central de muitos viajantes internacionais: a segurança. Para os visitantes, a possibilidade de circular livremente por um lugar desconhecido, de dia ou de noite, sem sentir a necessidade de ficar em alerta, seria considerada um luxo em muitas outras partes do mundo.
Houve uma época em que muitos visitantes buscavam dicas de segurança antes de viajar para a China — como manter as bolsas bem seguras, esconder objetos de valor ou evitar sair à noite. No entanto, alguns logo perceberam que tais precauções eram desnecessárias após passarem um tempo no país.
O blogueiro francês Leo deixou recentemente sua mochila em um banco na orla do Bund, em Shanghai. Quando retornou cerca de 30 minutos depois, ela ainda estava exatamente onde ele a havia deixado. O vídeo em que ele relata o ocorrido atraiu milhões de visualizações no exterior.
Um criador de conteúdo italiano, que publica online sob o pseudônimo Carlo Wu, expressou sentimentos semelhantes. Após quatro anos vivendo em Shanghai, ele ainda se surpreende ao ver pacotes deixados sem supervisão na porta de apartamentos e laptops intocados em espaços públicos.
O que mais o impressionou foi a gentileza de estranhos. Depois que uma entrega de comida foi enviada por engano para o apartamento de um vizinho, este levou pessoalmente a refeição até à porta de Wu, preocupado que ele pudesse ficar sem comer.
As experiências dos visitantes refletem-se tanto nas estatísticas oficiais quanto em pesquisas internacionais. Segundo o Ministério da Segurança Pública da China, o número de casos criminais em todo o país caiu 12,8% em 2025, atingindo o nível mais baixo deste século. Paralelamente, o Relatório Global de Segurança de 2025 da Gallup classificou a China como o terceiro lugar mais seguro do mundo e o quarto no índice de lei e ordem.
Por trás desse ambiente seguro estão os esforços de longo prazo da China para garantir a segurança pública por meio de uma estrutura jurídica sólida, governança de base comunitária, tecnologia moderna e uma resposta policial rápida.
A China construiu uma rede de segurança pública de alto nível que protege a todos, afirmou Kong Fanbin, diretor do Instituto Huazhi de Governança Global da Universidade de Nanjing.
Ele ressaltou que essa rede vai além das forças policiais formais. "A segurança pública aqui não é mantida apenas pela polícia. A comunidade e outras forças de base também desempenham um papel importante".
Na China, a segurança pública é, há muito tempo, uma prioridade tanto para o governo central quanto para os governos locais, que a consideram um serviço público essencial, observou He Yanling, professora da Escola de Administração Pública e Políticas Públicas da Universidade Renmin da China. "A governança de base também é um 'milagre'", acrescentou ela.
Em um nível mais profundo, observadores também atribuem esse ambiente seguro à estabilidade social de longo prazo da China, ao investimento contínuo no bem-estar público e ao seu compromisso com o desenvolvimento pacífico.