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Portinari aproxima Brasil e China em mostra histórica no Museu Nacional da China

Fonte: Diário do Povo Online    10.06.2026 09h53

A inauguração da exposição "O Brasil de Portinari" no Museu Nacional da China, em Beijing, destacou a força da arte como instrumento de aproximação entre Brasil e China. Parte da programação do "Ano Cultural Brasil-China 2026", a mostra reúne 56 obras de João Candido Portinari \ e deve receber milhões de visitantes ao longo de quatro meses.

Durante a cerimônia, Candido Portinari apresentou o pai como um intérprete da alma brasileira. Ele ressaltou que, após viver em Paris, o artista compreendeu que precisava voltar o olhar para suas origens em Brodowski, no interior paulista, para retratar o mundo de forma mais autêntica.

Nascido em Brodowski, uma pequena cidade no Estado de São Paulo, filho de imigrantes italianos, Candido Portinari (1903-1962) tornou-se uma das figuras centrais da pintura brasileira moderna e um dos artistas mais influentes do Século XX. Sua obra é definida por um compromisso com temas sociais e um olhar firme, porém profundamente humano, sobre a realidade brasileira – de crianças brincando em quintais de terra batida a famílias deslocadas pela seca, Portinari pintou um país que ele desejava mudar, com beleza, verdade e compaixão.

O diretor do Museu Nacional da China, Luo Wenli, afirmou que a pintura é uma linguagem universal capaz de promover o diálogo entre civilizações. Segundo ele, as obras de Portinari retratam a ligação profunda entre a terra brasileira e seu povo, valorizando especialmente os trabalhadores e sua contribuição para a construção da identidade nacional.

Os discursos também destacaram a defesa da paz presente na produção do artista, especialmente nos painéis Guerra e Paz, criados para a sede da Organização das Nações Unidas. Para Luo, essas obras expressam um ideal universal de convivência pacífica e preocupação com o bem-estar coletivo.

Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, João Candido relembrou uma história sobre a obra "Os Despejados". Questionado sobre a presença de um pequeno burro azul em meio a uma cena de sofrimento, Portinari respondeu: "Porque a poesia deve existir". Para seu filho, a frase resume a capacidade do artista de denunciar injustiças sem abrir mão da esperança.

A exposição foi apresentada como um símbolo da amizade entre Brasil e China e da capacidade da cultura de aproximar povos. Ao encerrar sua alocução, João Candido afirmou que os dois países se encontram no amor pela terra, no respeito aos trabalhadores e na confiança na força da alma humana, defendendo que a mostra seja uma ponte de afeto, memória e compreensão entre as duas nações.

A mostra faz parte do "Ano Cultural Brasil-China 2026" e reúne 56 obras do pintor brasileiro, além de experiências interativas.

A expectativa é que até 4 milhões de pessoas visitem a exposição durante os quatro meses em que ela ficará aberta.

Fonte: Brasil247

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