Por Chen Yiming
Como um correspondente chinês que acompanha há tempos o concurso "Ponte Chinesa" e que atuou como jurado na final brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro este ano, percebi uma mudança sutil, porém profunda. Essa mudança não decorre de uma alteração de identidade, mas sim de uma reformulação silenciosa do próprio concurso: a lógica narrativa do aprendizado da língua chinesa está se deslocando cada vez mais do "interesse atual" para a "orientação para o futuro".

A final da Etapa Brasileira do 25º Concurso "Ponte Chinesa" de Língua Chinesa para Estudantes Universitários (Foto: Xinhua)
Do tema dos universitários, "Um mundo, uma família", ao tema dos alunos do ensino médio, "Perseguindo o sonho chinês, sem desperdiçar a juventude", o tema deste ano reflete com precisão o mundo de língua chinesa aos olhos da juventude brasileira, um mundo que diz respeito tanto ao futuro compartilhado da humanidade quanto aos sonhos pessoais dos jovens. Os participantes no palco não são mais "entusiastas da língua chinesa" recitando discursos mecanicamente, mas um grupo de jovens capazes de discutir inteligência artificial, energia verde, tecnologia ferroviária de alta velocidade e cooperação agrícola sino-brasileira em chinês.
Essa mudança não é de forma alguma acidental.
Nos primórdios do concurso "Ponte Chinesa", o foco era mais voltado para a demonstração de habilidades linguísticas e a expressão de interesses culturais. Hoje, no entanto, os participantes demonstram uma consciência da importância de integrar proativamente o chinês em seus planos de carreira e trajetórias de desenvolvimento por meio de seus discursos de abertura, sessões de perguntas e respostas e comentários improvisados.
Um participante mencionou as fortes vendas de veículos elétricos da BYD no mercado brasileiro, expressando o desejo de estudar engenharia de software; outro desenvolveu um grande interesse em inteligência artificial após assistir a apresentações de robôs no Gala do Ano Novo Chinês; outros ainda começaram a aprender chinês sistematicamente após experimentarem a massagem tradicional chinesa, na esperança de trazer o conhecimento da medicina oriental de volta ao Brasil no futuro.
Para eles, o chinês não é apenas um idioma de sala de aula, mas uma habilidade que conecta as indústrias atuais com as oportunidades futuras.
Para além do local da competição, a disseminação dessa "febre da língua chinesa" é igualmente evidente.
Nos grandes shoppings de São Paulo, longas filas de jovens frequentemente se formam em frente a modernas casas de chá chinesas; no Rio de Janeiro, muitas escolas públicas continuam expandindo seus cursos de língua chinesa, com o número de alunos aumentando constantemente. Enquanto isso, produtos típicos brasileiros, como café e açaí, estão cada vez mais presentes no mercado chinês, enquanto a capoeira e a Bossa Nova conquistam os jovens chineses. A implementação da política de isenção mútua de visto entre os dois países tornou a aproximação cultural uma escolha real e cotidiana. Essas interações culturais genuínas constituem a base social mais sólida para o programa "Ponte Chinesa".
Como um correspondente chinês acreditado na América Latina, frequentemente me perguntam: por que cada vez mais jovens no Brasil e em outros países latino-americanos estão optando por aprender chinês? A resposta pode estar na expressão "vibe futurista". Com a China continuando a ser um dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil, e com a cooperação entre os dois países se aprofundando em áreas como energia, agricultura e tecnologia, dominar o chinês significa ter acesso a oportunidades mais concretas.
Uma atração mais profunda surge da compreensão e do reconhecimento mútuos entre civilizações.
Um dos participantes disse em seu discurso: "O chinês me faz sentir como se eu pudesse tocar o futuro". Outro explicou a importância das diferenças culturais usando o conceito de "harmonia na diversidade". A linguagem nunca é apenas uma ferramenta de comunicação, é também uma forma de compreender o mundo e a capacidade de participar de narrativas compartilhadas. Quando jovens latino-americanos usaram o chinês para falar sobre o trem de alta velocidade da China, discutir desenvolvimento sustentável e apresentar trechos de "Jornada ao Oeste", demonstraram não apenas sua proficiência no idioma, mas também sua capacidade de transcender fronteiras culturais, compreender outra civilização e dialogar com ela.
"Um Mundo, Uma Família" não é apenas um slogan abstrato, significa que as gerações mais jovens de diferentes países estão trabalhando juntas para construir pontes de entendimento. Hoje, numa extremidade dessa ponte estão as habilidades cada vez mais sólidas da juventude brasileira no idioma chinês e sua contínua curiosidade sobre o desenvolvimento da China, na outra extremidade está a crescente compreensão e o interesse da sociedade chinesa pela cultura brasileira.
Como espectador junto ao palco, vi rostos jovens brilhando intensamente no palco da "Ponte Chinesa".
O futuro deles é também o futuro compartilhado das relações China-Brasil.
(O autor é chefe da filial latino-americana do Diário do Povo e jurado do concurso "Ponte Chinesa" de 2026 no Brasil.)