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Ministério do Comércio da China: "teoria do excesso de capacidade produtiva da China" carece de fundamento factual

Fonte: Diário do Povo Online    30.07.2026 16h11

A teoria da atribuição na psicologia aponta que, diante de dificuldades no próprio desenvolvimento, as pessoas tendem a atribuir a responsabilidade a fatores externos. Esse comportamento é particularmente evidente em países que adotam políticas protecionistas. Alguns países, perante o declínio de suas indústrias e do processo de desindustrialização, passaram a atribuir todos os desaires comerciais e econômicos à China, promovendo amplamente a narrativa do chamado "excesso de capacidade produtiva chinesa" e adotando diversas medidas restritivas contra o país.

Em resposta, o Ministério do Comércio da China publicou um documento de quase 12 mil caracteres, intitulado "Posição da China sobre a chamada questão do 'excesso de capacidade produtiva'", refutando de forma abrangente essas alegações, esclarecendo equívocos e apresentando sua posição oficial.

O ministério do Comércio realiza uma coletiva de imprensa para apresentar a posição chinesa relativamente à questão do chamado "excesso de capacidade produtiva". (Foto: www.scio.gov.cn)

Do ponto de vista econômico, excesso de capacidade produtiva significa apenas que a oferta supera a demanda em determinado momento. Como a relação entre oferta e demanda é dinâmica, a economia de mercado passa continuamente por ciclos de equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio, não existindo um nível de capacidade produtiva permanentemente estável. Portanto, não é adequado concluir que existe excesso de capacidade com base em dados limitados a um determinado período ou região.

Além disso, não existe um padrão internacional unificado para avaliar a taxa de utilização da capacidade produtiva. Nas economias desenvolvidas, considera-se geralmente razoável uma taxa entre 75% e 80%, enquanto nos países em desenvolvimento esse intervalo costuma variar entre 50% e 64%.

Como "fábrica do mundo" e, ao mesmo tempo, um dos maiores mercados de consumo do planeta, a China afirma que sua taxa de utilização da capacidade industrial permanece, em geral, dentro de níveis considerados razoáveis.

Em 2025, a taxa de utilização da capacidade das empresas industriais de grande porte foi de 74,4%, considerada compatível com parâmetros internacionais. Nos setores de alta tecnologia e manufatura avançada, a capacidade produtiva é amplamente utilizada, enquanto a menor utilização observada em alguns setores tradicionais reflete um processo temporário de transformação industrial e modernização ambiental.

Segundo o documento, comparações com os dados históricos dos Estados Unidos, revelam que a utilização da capacidade na indústria chinesa permanece próxima de sua própria média histórica, não havendo evidências de um problema estrutural ou generalizado de excesso de capacidade.

O documento rebate quatro argumentos frequentemente apresentados por críticos da indústria chinesa:

Subsídios industriais não significam excesso de capacidade. O governo afirma que políticas de apoio fiscal e financeiro a setores emergentes são práticas comuns em diversos países. Subsídios considerados razoáveis ajudam a corrigir falhas de mercado e estimulam a inovação tecnológica, não sendo, por si só, responsáveis pelo excesso de capacidade produtiva.

Superávit comercial não equivale a excesso de capacidade. Diversos países europeus e os Estados Unidos mantêm, há anos, superávits significativos em setores de alta tecnologia sem que isso seja interpretado como excesso de produção. A China afirma que não busca deliberadamente manter superávits comerciais e destaca que, em vários períodos, o crescimento das importações superou o das exportações. Além disso, empresas estrangeiras instaladas no país respondem por mais de 10% do superávit comercial chinês, compartilhando os benefícios desse desempenho.

A alegação de demanda interna insuficiente não corresponde aos fatos. Em 2025, considerando a paridade do poder de compra (PPC), o volume das vendas no varejo da China foi 1,7 vez maior que o dos Estados Unidos, tornando o país o maior mercado consumidor de bens do mundo.

A concorrência de mercado limita naturalmente a expansão desordenada da produção. A China possui mais de 200 milhões de entidades empresariais e a intensa concorrência de mercado impede a expansão irracional da capacidade produtiva. A maioria das empresas estrangeiras continua lucrativa no país e apresenta níveis de eficiência superiores aos de suas unidades produtivas localizadas em outros países.

Em 8 de novembro de 2025, Chongqing (China) e Düsseldorf (Alemanha) realizaram uma exposição conjunta durante a 8ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), apresentando resultados da cooperação bilateral nas áreas de cultura, comércio e economia. (Foto: Xinhua)

O desenvolvimento da indústria chinesa de novas energias demonstra o valor positivo de sua capacidade produtiva. Ao longo da última década, os custos globais da geração de energia eólica e solar caíram significativamente, resultado atribuído, em grande parte, aos avanços tecnológicos e à capacidade produtiva da China.

A combinação entre regulação governamental adequada e concorrência de mercado representa um caminho eficaz para impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono e promover a modernização industrial à escala global.

A narrativa do alegado "excesso de capacidade produtiva" não tem apenas caráter defensivo, mas busca promover uma cooperação mais equilibrada nas cadeias globais de suprimentos.

A China continua ampliando sua abertura econômica, reduzindo tarifas de importação, estimulando a demanda interna e ajustando políticas de incentivo às exportações em setores sujeitos a maiores atritos comerciais.

A China ocupa, há 17 anos consecutivos, a posição de segundo maior importador do mundo; é um dos principais mercados de exportação para cerca de 80 países; concede tarifa zero para diversos produtos provenientes de numerosos países em desenvolvimento; as oito edições da China International Import Expo (CIIE) resultaram em intenções de negócios superiores a US$ 580 bilhões; durante o período do 14º Plano Quinquenal, o valor total das importações chinesas ultrapassou 90 trilhões de yuans.

A China não é apenas a "fábrica do mundo", mas também um dos maiores mercados globais de consumo. A perda de competitividade industrial em alguns países decorre principalmente de dificuldades em seus próprios processos de transformação econômica, e não do desenvolvimento da indústria chinesa.

O aprofundamento da cooperação nas cadeias industriais globais e a ampliação conjunta de oportunidades de desenvolvimento, constitui o caminho mais benéfico para todos os países. O crescimento da indústria chinesa representa não uma ameaça, mas uma nova oportunidade para a economia mundial.

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