
Turistas visitam o Museu dos Mausoléus Imperiais de Xixia em Yinchuan, na Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, no noroeste da China, em 13 de julho de 2025. (Foto: Xinhua)
Às margens do Rio Amarelo, em Zhongwei, na Região Autônoma da Etnia Hui de Ningxia, um ateliê de cerâmica em tons terrosos integra-se à paisagem ao redor.
Ao redor de uma fileira de tornos de oleiro, visitantes moldam com os dedos uma argila de textura rústica, criando peças que se tornarão porcelana Xixia, um ofício com raízes seculares na região.
Entre eles está Chang Jiamei, uma estagiária do ateliê que tem pouco mais de 20 anos. "Sou natural de Zhongwei, mas sabia pouco sobre a porcelana Xixia antes de começar a trabalhar aqui", lamentou ela.
Sua experiência ilustra um desafio enfrentado por muitos ofícios tradicionais: mesmo quando reconhecidos como patrimônio cultural imaterial, nem sempre são conhecidos ou valorizados pelas gerações mais jovens.
A porcelana Xixia remonta à civilização Xixia, que floresceu no noroeste da China entre os séculos XI e XIII. Ao contrário da porcelana delicada e ricamente decorada frequentemente associada à cerâmica chinesa, a porcelana Xixia apresenta um aspecto mais rústico, com contrastes de cores e texturas que conferem a cada peça um caráter autêntico e artesanal.
A produção de porcelana Xixia foi incluída na lista de projetos representativos do patrimônio cultural imaterial regional de Ningxia em 2019.
Yang An, herdeiro de quinta geração do ofício e proprietário do ateliê, acredita que a chave para manter a tradição viva é aproximá-la do estilo de vida contemporâneo.
"A porcelana Xixia utiliza uma massa de argila rústica, e os padrões são esculpidos diretamente na superfície com uma faca, sem esboços prévios", disse Yang, de 39 anos. "Essa característica de liberdade e espontaneidade ressoa com o estilo de vida que muitos jovens adotam hoje em dia."
Com o crescimento do turismo no deserto de Zhongwei e a chegada de mais visitantes à cidade, Yang viu uma oportunidade de conectar o antigo ofício a um novo público. Em 2021, ele inaugurou o ateliê numa área turística situada entre o Rio Amarelo e o deserto, oferecendo aos visitantes a chance de vivenciar todas as etapas da produção, desde a modelagem no torno e a escultura até a queima da peça.
Uma turista adolescente de Beijing, que descobriu o ateliê enquanto estava hospedada numa casa de família nas proximidades, passou dois meios-períodos confeccionando um cantil plano tradicional.
"Gostaria de levar para casa o que aprendi sobre a porcelana Xixia e mostrar aos meus amigos a peça que fiz", disse ela.
Para Yang, a experiência prática é apenas uma maneira de trazer o artesanato para a vida moderna. Ele também desenvolveu produtos de uso cotidiano, como suportes para coar café, louças e ímãs de geladeira, itens pequenos e acessíveis que os visitantes podem levar facilmente para casa como lembranças.
"Hoje, a porcelana Xixia é frequentemente produzida principalmente para decoração ou colecionismo, mas quero desenvolver produtos que as pessoas possam usar no dia a dia", afirmou.
Yang estabeleceu parcerias de vendas com mais de 40 lojas em toda a região de Ningxia e utiliza as redes sociais para documentar o processo de produção e divulgar novos designs. O interesse pela porcelana Xixia também cresceu desde que os Mausoléus Imperiais Xixia foram incluídos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, em 2025.
Chang contou que muitos turistas agora conhecem o artesanato pela internet antes de visitar o local especificamente para tentar produzi-lo eles mesmos. Seu trabalho de verão também mudou seus próprios planos. "Agora estou considerando seguir uma carreira relacionada à porcelana Xixia", afirmou ela.
Em toda a região de Ningxia, outros artesanatos tradicionais locais estão passando por mudanças semelhantes. A tecelagem de palha, antes muito associada a grandes utensílios agrícolas, foi adaptada para a criação de pequenas cestas de armazenamento e ornamentos decorativos, enquanto artistas de recorte de papel estão transformando desenhos tradicionais em produtos criativos, como marcadores de página e pingentes para bolsas.
Isso reflete um mercado mais amplo para o patrimônio cultural imaterial em toda a China.
Entre 2021 e 2025, mais de 12.900 oficinas de patrimônio cultural imaterial foram criadas em todo o país, à medida que experiências práticas com o patrimônio surgiram como uma nova atração para viajantes que buscam uma conexão mais próxima com as tradições locais. Um relatório do setor indicou que as transações envolvendo artesanato de patrimônio cultural imaterial na principal plataforma de comércio eletrônico, Tmall, ultrapassaram 100 bilhões de yuans (US$ 14,8 bilhões) em 2025.
A porcelana Xixia está ultrapassando as fronteiras da China; a equipe de Yang apresenta o artesanato em exposições no exterior e explora oportunidades em mercados internacionais. Ao mesmo tempo, mais jovens nascidos nos anos 2000 estão se juntando à equipe, trazendo ideias novas para o artesanato.
"O artesanato tradicional precisa ser praticado, não apenas exibido", ponderou Yang. "As pessoas precisam conhecê-lo, gostar dele e transmiti-lo."