
O deslizamento mortal que atingiu uma importante passagem de fronteira entre a China e o Nepal foi provocado pelo desabamento de uma geleira em alta altitude no Nepal, informou o Ministério de Recursos Naturais da China, na quinta-feira, destacando os crescentes riscos representados por ambientes montanhosos instáveis com o aquecimento global.
O desastre ocorreu na manhã de quarta-feira no lado nepalês da fronteira, enviando uma torrente de gelo, rochas e detritos em direção ao porto de Gyirong, uma importante passagem terrestre que liga a China ao Nepal em Shigatse, na Região Autônoma de Xizang.
Até as 8h da manhã de quinta-feira, dois moradores haviam sido resgatados, três pessoas foram confirmadas mortas e 558 permaneciam desaparecidas, de acordo com o centro de comando de desastres em Gyirong.
Segundo o ministério, o desastre começou com o desabamento de uma geleira em alta altitude no Nepal. O gelo e as rochas em queda desceram rapidamente uma encosta, arrastando detritos glaciais soltos ao longo de seu caminho e se transformando em um fluxo de detritos antes de chegar ao rio Gyirong Zangbo e se tornar um deslizamento de lama.
"O fluxo atingiu as instalações do Porto de Gyirong antes de continuar rio abaixo em direção ao Nepal", disse Guo Zhaocheng, diretor do centro de investigação e monitoramento de desastres geológicos do Centro de Pesquisa Aerogeofísica e Sensoriamento Remoto de Recursos Naturais da China.
O fluxo de detritos gerado pelo colapso da geleira viajou a cerca de 50 metros por segundo. A velocidade extrema deixou pouco tempo para as pessoas reagirem e permitiu que o fluxo afetasse uma área a mais de 20 quilômetros desde sua origem, contribuindo para as grandes perdas.
Os padrões e requisitos para prevenção de desastres e proteção de infraestrutura no Planalto Qinghai-Tibete devem ser mais rigorosos do que os das áreas do interior, afirmou Guo.