
Vista aérea de navios porta-contêineres atracados no Terminal de Contêineres de Qianwan, no Porto de Qingdao, província de Shandong, no leste da China, em 25 de agosto de 2026. (Foto: Zhang Jingang/Xinhua)
O comércio exterior da China manteve um crescimento acelerado nos primeiros oito meses de 2026, com exportações e importações registrando ganhos sólidos e o crescimento das importações continuando a superar o das exportações, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira (8).
O volume total de importações e exportações de mercadorias do país aumentou anualmente 17,6%, atingindo 34,78 trilhões de yuans (cerca de 5,13 trilhões de dólares americanos) no período de janeiro a agosto, de acordo com a Administração Geral de Alfândegas (GAC).
A taxa de crescimento foi 0,3% superior à registrada nos primeiros sete meses do ano.
As exportações aumentaram anualmente 14,6%, chegando a 20,17 trilhões de yuans, enquanto as importações cresceram 22%, atingindo 14,61 trilhões de yuans, revelaram os dados.
Apenas em agosto, o comércio de mercadorias da China totalizou 4,65 trilhões de yuans, um aumento anual de 19,8%, permanecendo acima da marca de 4 trilhões de yuans pelo sexto mês consecutivo.
As exportações cresceram 18,6% em agosto na comparação anual, enquanto as importações subiram 21,7%.
Tanto as exportações quanto as importações registraram crescimento de dois dígitos pelo quarto mês consecutivo, e o crescimento das importações superou o das exportações pelo sexto mês seguido.
A força das exportações chinesas tem sido sustentada por uma demanda externa sólida, particularmente por produtos de alta tecnologia e itens relacionados à inteligência artificial (IA).
Nos primeiros oito meses de 2026, as exportações de produtos mecânicos e elétricos aumentaram 21,9%, para 12,91 trilhões de yuans, enquanto as exportações de circuitos integrados dispararam 95,4% em relação ao ano anterior, atingindo 1,77 trilhão de yuans, segundo dados da GAC. Em contrapartida, as exportações de produtos intensivos em mão de obra recuaram 0,6% nesse período.
Em termos de dólares americanos, as exportações da China cresceram 25% em agosto, em relação ao ano anterior. Especialistas afirmaram que esse crescimento foi impulsionado pela forte demanda externa por produtos de alta tecnologia e relacionados à inteligência artificial (IA).
Dados oficiais também indicaram uma melhora nas encomendas externas: o índice de novas encomendas de exportação da indústria manufatureira subiu de 49,6 em julho para 50,1 em agosto, retornando à zona de expansão.
Lyu Daliang, diretor do Departamento de Estatística e Análise da Administração Geral de Alfândegas, afirmou que o comércio de mercadorias da China manteve um ritmo de crescimento estável em agosto, com exportações e importações registrando crescimento de dois dígitos pelo quarto mês consecutivo. Segundo ele, esse desempenho demonstrou o forte suporte ao comércio exterior proporcionado pelo sistema industrial completo da China, bem como o impulso gerado pela impressionante capacidade de inovação do país.
Wen Bin, economista-chefe do China Minsheng Bank, disse que se espera a continuidade do ciclo global de manufatura impulsionado por investimentos de capital relacionados à IA, o que deve elevar tanto os volumes quanto os preços em toda a cadeia de suprimentos de semicondutores e apoiar o crescimento das exportações chinesas.
Os laços comerciais da China com uma ampla gama de mercados externos também continuaram se expandindo. Nos primeiros oito meses deste ano, o comércio com a ASEAN cresceu anualmente 20,6%, atingindo 5,95 trilhões de yuans, enquanto o comércio com países parceiros da iniciativa "Cinturão e Rota" aumentou 15,9%, chegando a 17,74 trilhões de yuans, segundo dados da GAC.
Empresas com investimento estrangeiro também permaneceram participantes ativas nessa expansão comercial. Quase 80 mil empresas com investimento estrangeiro registraram importações ou exportações nos primeiros oito meses do ano, e seu volume comercial cresceu 18,1%, para 10,15 trilhões de yuans, um ritmo superior ao crescimento geral do comércio exterior.
Lyu observou que mais empresas com investimento estrangeiro estão se integrando profundamente às cadeias industriais e de inovação da China ao abraçarem a "Oportunidade China 2.0". O termo destaca que, além de seu enorme mercado, a China também está oferecendo mais dividendos de inovação ao mundo por meio de seus avanços tecnológicos e da modernização industrial.
A China continua sendo a maior potência comercial do mundo em mercadorias e ocupa a posição de segundo maior mercado importador global há 17 anos consecutivos, com sua participação nas importações mundiais subindo para cerca de 10%, segundo autoridades alfandegárias.
Dados divulgados na terça-feira (8) mostraram um crescimento robusto nas importações de produtos mecânicos e elétricos. Essas importações cresceram 31,6%, atingindo 6,21 trilhões de yuans nos primeiros oito meses de 2026, enquanto as importações agrícolas aumentaram 6,6%, chegando a 1,04 trilhão de yuans.
Dados alfandegários mais detalhados revelaram um crescimento particularmente acelerado nas importações relacionadas à tecnologia. Nos primeiros oito meses do ano, o valor das importações de circuitos integrados disparou 61,7% em relação ao ano anterior, ao passo que as importações de diodos e dispositivos semicondutores similares mais do que dobraram.
Wang Qing, analista-chefe de macroeconomia da Golden Credit Rating, afirmou que as importações continuarão sendo impulsionadas por diversos fatores, observando que a importação de chips provavelmente manterá um ritmo de crescimento relativamente acelerado no curto prazo.
De modo geral, Wang disse que se espera que o valor das importações da China continue crescendo a um ritmo relativamente rápido em setembro, embora a taxa de crescimento anual possa desacelerar devido a uma base de comparação mais elevada.