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Modernização de hidrelétricas no Brasil impulsiona parceria de energia verde

Fonte: Diário do Povo Online    14.09.2026 10h39

À medida que a transição global para o desenvolvimento sustentável acelera, a cooperação em energia limpa entre a China e a América Latina demonstra um potencial ilimitado, com a inovação tecnológica chinesa revitalizando ativos estratégicos existentes em meio ao esforço ambicioso da região pela modernização da rede elétrica. "A China possui tecnologia avançada e vasta experiência, enquanto o Brasil conta com abundantes recursos naturais e uma imensa demanda de mercado", afirmou Ye Xiaoning, engenheiro sênior do State Grid Energy Research Institute.

"Essa complementaridade é a chave para o sucesso da nossa cooperação", acrescentou ele.

Ye destacou que essa parceria mutuamente benéfica ilustra perfeitamente como nações em desenvolvimento podem unir forças para desenvolver e utilizar energia limpa em larga escala de forma abrangente. Este ano marca um marco histórico: o 10º aniversário da gestão chinesa das usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá. Em 1º de julho de 2016, a CTG Brasil, uma unidade da China Three Gorges Corporation — a maior construtora e operadora de barragens do mundo —, assumiu oficialmente as operações dessas duas gigantescas usinas.

Na última década, essas duas potências hidrelétricas situadas no Sudeste brasileiro atravessaram uma profunda transformação. As usinas envelhecidas, afetadas pela deterioração de equipamentos e frequentes interrupções não planejadas, foram totalmente transformadas em um exemplo de excelência da integração hidrelétrica sino-brasileira. Agora, servem como a espinha dorsal energética vital para o próspero corredor econômico do Sudeste do Brasil, segundo a empresa.

Com uma capacidade instalada de 1,55 milhão de quilowatts, a Usina Hidrelétrica de Jupiá gerou cerca de 6,77 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade apenas em 2025. Já a Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira é atualmente a sexta maior instalação hidrelétrica do Brasil, contando com 20 unidades geradoras e uma capacidade total de 3,44 milhões de kW. Juntas, essas instalações oferecem uma capacidade de quase 5 milhões de kW.

Anualmente, as duas usinas fornecem uma enorme quantidade de energia hidrelétrica limpa para a rede brasileira, atendendo às necessidades elétricas de mais de 6 milhões de pessoas. A CTG adquiriu os direitos de concessão de 30 anos para os projetos entre 2015 e 2016, em uma transação histórica de US$ 3,7 bilhões — a maior aquisição da empresa no exterior até hoje —, consolidando sua posição como a terceira maior geradora de energia não estatal do Brasil.

Em vez de apenas operar a infraestrutura existente, a CTG iniciou um monumental "transplante de coração" nas instalações que já apresentavam desgaste pelo tempo.

Desde o lançamento oficial da grande reforma técnica das usinas hidrelétricas em 2017, a CTG Brasil concluiu a modernização tecnológica de 12 unidades geradoras, divididas em duas etapas, abrangendo ambas as usinas.

Essa reforma de grande porte trouxe uma mudança fundamental nas condições operacionais das duas usinas. Aliada a uma cultura de segurança continuamente consolidada, a confiabilidade operacional das unidades aumentou significativamente.

Em 2024, a taxa de disponibilidade global das usinas da CTG Brasil atingiu a marca expressiva de 95,6%. Além disso, um novo centro de controle centralizado em Ilha Solteira, que entrou em operação plena em 2022, eliminou riscos históricos de segurança na rede elétrica principal, garantindo o fornecimento contínuo e altamente eficiente de energia limpa.

Li Yinsheng, presidente do conselho da CTG International, observou que, embora o Brasil ofereça uma mão de obra altamente qualificada e um mercado competitivo, os investidores estrangeiros precisam lidar com cautela com regulamentações trabalhistas rigorosas, deficiências de infraestrutura e sistemas tributários complexos.

Em resposta, a CTG foi pioneira na implementação de um modelo de gestão profundamente localizado, que confere plena autonomia aos profissionais brasileiros. Segundo Ye, a China e o Brasil — duas das principais potências mundiais em energia hidrelétrica — compartilham uma profunda compreensão mútua sobre infraestrutura energética de grande porte.

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