
Memorial das Vítimas do Massacre de Nanjing pelos Invasores Japoneses, na província de Jiangsu, no leste da China, em 18 de setembro de 2026. (Foto/Xinhua)
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou na sexta-feira que é profundamente preocupante o fato de o negacionismo histórico continuar a crescer e se disseminar no Japão, acrescentando que o perigo representado por essa tendência é evidente.
Guo fez essas declarações em resposta a uma pergunta sobre a postura do Japão em relação à sua história de guerra, visto que a sexta-feira marcou o 95º aniversário do Incidente de 18 de Setembro de 1931, quando tropas japonesas iniciaram a sangrenta invasão da China.
O Incidente de 18 de Setembro e a subsequente resistência chinesa marcaram o início da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa (1931-1945), uma parte significativa da Guerra Mundial Antifascista.
Guo afirmou que o incidente foi uma conspiração de guerra há muito ocultada pelo governo japonês, e que a vasta maioria da população japonesa só tomou conhecimento da verdade durante o Julgamento de Tóquio — uma série de processos históricos que responsabilizaram líderes japoneses da época da guerra por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a Segunda Guerra Mundial.
Ele disse que forças de direita japonesas chegaram a utilizar inteligência artificial para filtrar sistematicamente arquivos do período pré-guerra e registros do Julgamento de Tóquio, numa tentativa de encobrir os crimes de guerra do Japão e consolidar uma visão distorcida da história.
"Tal negacionismo representa não apenas um grave retrocesso na compreensão histórica, mas também uma contracorrente organizada e politicamente motivada", disse Guo.
O objetivo desse negacionismo, segundo Guo, é enganar ainda mais o público japonês e remover obstáculos às tentativas do Japão de se livrar das restrições do sistema do pós-guerra e acelerar a remilitarização.
"Negar os crimes de agressão do Japão é desafiar o veredito da história e minar a ordem internacional do pós-guerra", acrescentou.
"Instamos o Japão a encarar de frente e refletir profundamente sobre sua história de agressão, e a conquistar a confiança de seus vizinhos asiáticos e do restante do mundo por meio de ações concretas", disse Guo.
Ele apelou também aos países da região para que salvaguardem conjuntamente os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial e defendam o princípio fundamental da paz.