Especialistas portugueses esperam uma cooperação internacional mais forte e um diálogo mais inclusivo para integrar a medicina tradicional chinesa (MTC) e outras formas de medicina tradicional nos principais sistemas de saúde em todo o mundo, durante o Fórum de Medicina Tradicional da Organização de Cooperação de Shanghai 2026, concluído recentemente.
Olga Maria Duarte Silva, presidente do conselho de cooperação da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal e diretora do Laboratório Internacional China-Portugal em Medicamentos e outros Produtos de Saúde à Base de Plantas, disse à margem do fórum que a internacionalização da medicina tradicional tem avançado, mas necessita de uma participação mais ampla, especialmente por parte dos países europeus.
"Precisamos também incluir mais países europeus", disse Silva, também professora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, observando que a maioria dos participantes era proveniente de regiões fora da Europa.
Participando do fórum pela segunda vez, ela descreveu o evento como um ponto de partida para uma colaboração mais profunda. "Precisamos aprimorar a tradução dos conhecimentos e também a tradução das culturas. Precisamos compreender os diferentes lados e promover o diálogo e a cooperação", ressaltou.
Destacando o papel da combinação da medicina tradicional com a medicina moderna, Silva afirmou que as medicinas tradicionais são raramente utilizadas como método isolado na Europa e costumam ser usadas em conjunto com outros medicamentos como parte do tratamento. Além da MTC, ela também mencionou a medicina tradicional africana e outras práticas complementares, como exercícios físicos, meditação e nutrição, e disse que todas elas fazem parte de um esforço de integração mais amplo.
Silva sugeriu a realização de ensaios clínicos colaborativos que comparem as medicinas tradicionais com os tratamentos convencionais em um contexto global, incluindo a prevenção. "Seria interessante incluir estudos colaborativos até mesmo em ensaios clínicos com medicamentos convencionais e tentar entender o que podemos avançar juntos, tanto em termos de eficácia quanto de segurança", disse.
Maria Beatriz da Silva Lima, ex-reitora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, também foi convidada a participar do fórum. "A cooperação entre a China e Portugal na área da medicina tradicional não só facilita o intercâmbio de conhecimentos sobre matrizes vegetais, mas também contribui para abrir caminho para que a MTC entre no mercado europeu", disse Lima.
Lima observou que tanto a China quanto a Europa começam a apresentar visões muito semelhantes em relação à forma como encarar produtos ou extratos fitoterápicos, bem como à forma como ambas progridem no estudo desses produtos, e essa semelhança possibilita a criação de "algoritmos comuns" -- um esquema padronizado que abrange a extração, o teste, a identificação de substâncias, os ensaios in vitro e o uso da IA em um processo cíclico.