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Representantes das empresas chinesas de inteligência artificial (IA) DeepSeek e Moonshot devem fazer uma apresentação em uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) sobre IA e segurança internacional nesta quarta-feira, em Nova York, segundo a Reuters. Especialistas chineses afirmaram que a iniciativa ressalta o papel crescente das empresas chinesas nas discussões globais sobre o desenvolvimento da IA e destaca o compromisso da China com a governança global da IA, incluindo o compartilhamento de inovações, a abertura e a cooperação mutuamente benéfica.
Outros participantes incluem o CEO da OpenAI, Sam Altman; o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e o CEO da Hugging Face, Clément Delangue, informou a CNBC.
A reunião, presidida pela França, consta no site da ONU como uma discussão sobre IA e segurança internacional, sob o item da agenda "Manutenção da paz e segurança internacionais". Esta é a segunda vez que a IA é formalmente incluída na pauta do Conselho de Segurança, após o primeiro debate do órgão sobre o tema em 2023. Na ocasião, a China alertou que a tecnologia não deveria se tornar um "cavalo desgovernado".
Segundo a Reuters, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou líderes mundiais na semana passada que a rápida evolução da IA apresenta riscos que não podem ser ignorados.
Em 14 de setembro, autoridades chinesas divulgaram a "Estrutura de Governança de Segurança de IA 3.0", na qual a classificação dos riscos de segurança da IA foi revisada e atualizada, e foram delineadas recomendações para otimizar contramedidas tecnológicas e medidas abrangentes de governança.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou, em 15 de setembro, que o país sempre apoia o papel da ONU como principal canal na governança global da IA e participa da governança multilateral da tecnologia com uma postura responsável. Ressaltando que a China atribui igual importância ao desenvolvimento e à segurança no que diz respeito à IA — e leva a sério os riscos inerentes e secundários da tecnologia —, o porta-voz disse que o país está comprometido em manter padrões fundamentais de segurança. Além disso, a China tem se empenhado em aprimorar leis, regulamentos, políticas, normas de aplicação e regras éticas para prevenir o abuso e o uso indevido da IA, garantindo que ela seja segura, confiável e controlável, informou a agência de notícias Xinhua.
Segundo observadores do setor na China, a reunião sinaliza que o debate global sobre IA está indo além da competição entre nações e avançando para uma questão mais complexa: como prevenir riscos e, ao mesmo tempo, preservar o direito de todos os países de se beneficiarem do progresso tecnológico.
Com o convite para a participação de empresas chinesas, o debate pode refletir um reconhecimento mais amplo de que uma governança eficaz da IA exige a participação de todos os principais atores tecnológicos — incluindo os da China, dos EUA, da Europa e do Sul Global —, afirmou na quarta-feira ao Global Times, Liu Gang, economista-chefe do Instituto Chinês de Estratégias de Desenvolvimento de IA de Nova Geração.
Sob a ótica da governança global da IA, a participação de empresas chinesas do setor nas discussões da ONU evidencia uma realidade fundamental: os riscos associados à IA transcendem as fronteiras de governança de qualquer país, abrindo um amplo espaço para a cooperação entre todas as partes, disse na quarta-feira ao Global Times Chen Jing, vice-presidente e pesquisador da Sociedade para o Estudo de Tendências Tecnológicas e Estratégicas.
Tal como qualquer avanço tecnológico, a IA suscita diversas preocupações — incluindo questões de privacidade e segurança — que exigem uma supervisão conjunta por parte de países de todo o mundo, observou Liu. O objetivo final é promover um desenvolvimento sólido em todas as nações e garantir que a IA beneficie verdadeiramente as pessoas à escala global, acrescentou.
A participação de empresas chinesas de IA reflete o reconhecimento de que os riscos da IA ultrapassam fronteiras e de que uma governança significativa exigirá a contribuição tanto dos principais atores tecnológicos quanto dos países em desenvolvimento, destacou Chen.
Especialistas também ressaltaram a importância da governança e do direito ao desenvolvimento. Para muitos países do Sul Global, a IA representa não apenas uma questão de segurança, mas também uma oportunidade de desenvolvimento, disse Chen, acrescentando que, no âmbito da ONU, poderiam ser criadas infraestruturas públicas — como sistemas de notificação de vulnerabilidades e detecção de deepfakes — com a assistência técnica de países ocidentais e da China.
A China está comprometida em promover ainda mais a IA de código aberto para a indústria, a academia e as instituições de pesquisa, incentivando a inovação, o empoderamento por meio da IA e um ecossistema inclusivo via cooperação internacional, conferindo, assim, um impulso sustentado ao desenvolvimento da IA, segundo especialistas.
Para a comunidade internacional como um todo, a mensagem central é que a governança da IA deve ser inclusiva, não discriminatória e voltada para o desenvolvimento, acrescentou Liu.