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Zhong Sheng: China e UE devem superar divergências e ampliar comércio

Fonte: Diário do Povo Online    12.10.2026 11h27

Embora existam divergências entre a China e a União Europeia, ambas as partes têm sabedoria e capacidade para encontrar caminhos adequados para resolver os problemas, desde que respeitem mutuamente seus interesses, sigam os princípios de igualdade e benefício mútuo e levem devidamente em consideração as preocupações legítimas de cada lado.

Nos dias 8 e 9 de outubro, foi realizada em Beijing a segunda reunião ordinária do mecanismo de consultas sobre comércio e investimentos entre a China e a União Europeia (UE). Partindo do objetivo de serem “parceiros comerciais fundamentais, estáveis e equilibrados”, as duas partes avaliaram os avanços das consultas em diferentes áreas, desde a primeira reunião do mecanismo, e realizaram discussões práticas e produtivas sobre questões importantes das relações econômicas e comerciais sino-europeias.

Ao final, elaboraram uma lista de consensos e resultados e divulgaram uma declaração conjunta. Em um contexto de recuperação econômica mundial sob pressão e de crescimento das tendências antiglobalização, China e UE, dentro do marco das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), recorreram a um diálogo recíproco, profissional e construtivo para administrar divergências e promover a cooperação, proporcionando uma valiosa fonte de estabilidade à economia mundial, marcada por incertezas.

O diálogo é um caminho para resultados vantajosos para ambas as partes, tendo as regras como âncora e a racionalidade como vela. Ele demonstra a clareza estratégica da China e da UE. O consenso alcançado nesta reunião abrange 16 pontos concretos, incluindo o equilíbrio comercial e de investimentos, os controles de exportação, a propriedade intelectual e a reforma da OMC. Esses pontos respondem às preocupações comuns dos setores industriais de ambos os lados e estabelecem as bases para ampliar ainda mais a cooperação.

A China e a UE reconhecem que “a realização bem-sucedida da segunda reunião ordinária representa um novo ponto de partida, e não o fim do caminho”.

A opinião pública internacional considera, de modo geral, que a reunião demonstrou a eficácia do mecanismo de consultas, contribuindo para estabilizar as expectativas do mercado e beneficiando tanto a China e a UE quanto a economia mundial.

A essência das relações econômicas e comerciais entre China e UE é a obtenção de benefícios mútuos e ganhos compartilhados. A atual estrutura do comércio bilateral resulta de escolhas recíprocas baseadas nas vantagens comparativas de cada parte e constitui uma consequência natural do funcionamento das leis de mercado.

Em 2025, o comércio de mercadorias entre China e UE atingiu 828,11 bilhões de dólares, um crescimento anual de 5,4%. O estoque de investimentos bilaterais superou 280 bilhões de dólares, e ambas as partes são, uma para a outra, o segundo maior parceiro comercial. No primeiro semestre de 2026, apesar das perturbações causadas pelo ressurgimento do protecionismo, o comércio de mercadorias entre a China e a UE cresceu 14,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 447,88 bilhões de dólares.

Dos automóveis e das novas energias à biomedicina e aos equipamentos mecânicos, as cadeias industriais e de suprimentos de ambos os lados estão profundamente interligadas e apresentam vantagens complementares. Seus mercados de oferta e demanda são altamente interdependentes, formando há muito tempo uma sólida estrutura de interesses comuns.

A Europa possui uma longa tradição de livre comércio e, durante muito tempo, foi uma importante força na construção de uma economia mundial aberta. A China observa que, nos últimos tempos, a UE vem adotando sucessivamente diversas medidas de protecionismo comercial e políticas industriais, cujos efeitos indiretos têm despertado a atenção da comunidade internacional. Politizar questões econômicas e comerciais, ampliar excessivamente o conceito de segurança e estabelecer barreiras injustificadas ao comércio e aos investimentos contrariam os princípios de concorrência justa da OMC e podem desestabilizar as cadeias industriais e de suprimentos globais, prejudicando, em última análise, a própria transformação e modernização industrial da Europa.

Uma análise publicada pela revista britânica The Economist vai direto ao ponto: se a Europa deseja prosperidade industrial, seu foco não deve ser impedir a entrada de concorrentes, mas sim “resolver os problemas crônicos internos”. Diversas vozes esclarecidas na Europa já apontaram que a chave para aumentar a competitividade industrial está em solucionar os problemas estruturais internos, e não em simplesmente restringir a concorrência externa.

A China sempre defendeu que a interdependência não constitui um risco, que a integração de interesses não representa uma ameaça e que a cooperação aberta é o caminho correto para alcançar o desenvolvimento comum.

O enorme mercado chinês, suas aplicações inovadoras que evoluem rapidamente e seu sistema industrial completo e integrado constituem apoios indispensáveis para que a Europa avance na transição verde e estimule a inovação científica e tecnológica.

A Câmara de Comércio Alemã na China destacou que os conhecimentos técnicos especializados e a experiência acumulados pelas empresas alemãs que operam no mercado chinês podem contribuir efetivamente para aumentar sua competitividade global.

A posição compartilhada entre China e UE não apenas favorecem o desenvolvimento estável das relações econômicas e comerciais bilaterais, mas também possuem um significado que vai além das relações entre as duas partes. Eles contribuem para preservar a ordem comercial global e impulsionar a economia mundial rumo a um modelo mais aberto, inclusivo, acessível, equilibrado e mutuamente benéfico.

O diálogo e as consultas são o melhor caminho para administrar divergências, enquanto a cooperação mutuamente benéfica representa o maior denominador comum para o desenvolvimento compartilhado. Encarando o futuro, a China está disponível para trabalhar com a UE, com base no cumprimento das regras da OMC e no respeito aos interesses fundamentais de ambas as partes, para continuar resolvendo atritos e divergências por meio do diálogo e das consultas, explorar continuamente novas oportunidades de cooperação e ampliar seus horizontes. Juntas, China e UE poderão contribuir para o crescimento da economia global e para a segurança e a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos mundiais.

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