
Os documentos provaram mais uma vez que o governo japonês na época tinha plena consciência da vergonha de consagrar criminosos de guerra de Classe A e, temendo as consequências, deliberadamente manteve o processo de tomada de decisão em segredo, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, na quinta-feira.
Mao fez as declarações em uma coletiva regular quando foi solicitada a comentar a divulgação, pela primeira vez, das atas da reunião interna do Santuário Yasukuni pela mídia japonesa, que revelou o processo de tomada de decisão sobre a consagração de 14 criminosos de guerra de Classe A, incluindo Hideki Tojo.
Os documentos mostram que o governo japonês fez arranjos para a consagração de criminosos de guerra de Classe A no santuário já na década de 1960, mas optou por manter o público sem conhecimento do fato até que ele fosse revelado em 1979.
Esses criminosos de guerra de Classe A foram os principais culpados por trás da guerra de agressão dos militaristas japoneses, com o sangue de inúmeras vítimas de guerra nas mãos, disse Mao, acrescentando que o veredito solene do Julgamento de Tóquio os condenou à infâmia perpétua, defendendo assim a justiça internacional e lançando a base legal para a ordem internacional do pós-guerra.
"No entanto, aqueles que comandam o governo japonês têm repetidamente prestado homenagens ao que é, na verdade, um santuário dedicado a criminosos de guerra. É preciso perguntar: para onde foi a consciência?", questionou.
"A história não pode ser reescrita. A verdade não pode ser apagada. O Japão cometeu crimes inegáveis durante sua agressão militarista. Os responsáveis pelo governo japonês devem encarar a história de frente, refletir sobre os crimes de guerra e romper genuinamente com seu passado militarista", disse ela.