TÓQUIO, 25 de agosto (Diário do Povo Online) - O chefe de gabinete japonês, Yoshihide Suga, disse, em conferência de imprensa realizada segunda-feira (24), que o primeiro-ministro, Shinzo Abe, não irá participar das comemorações do 70º aniversário da Vitória da Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa a serem realizadas a 3 de setembro próximo, e nem visitará a China antes ou depois da data.
Yoshihide Suga disse também que o lado japonês vai continuar a aproveitar as "conferências internacionais e outras ocasiões," para tentar realizar encontros da cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping.
Abe disse, no mesmo dia no parlamento japonês, que vai procurar oportunidades nas futuras conferências internacionais para realizar encontros com o chefe de estado da China, a fim de "desenvolver ainda mais as relações bilaterais".
A Kyodo News do Japão considera que o encalhe da visita de Abe à China pode afetar o melhoramento das relações entre o Japão e a China.
De acordo com Abe e Yoshihide Suga, a razão da desistência tem a ver com a pertinência de se conseguir aprovar, o mais rápido possível, a lei de segurança no Congresso japonês.
O projeto de lei visa revogar a interdição da autodefesa coletiva, o que entra em conflito com os princípios pacíficos da constituição japonesa do pós-guerra. Esta pretensão de Abe foi fortemente contestada no país.
Aproveitando-se da vantagem dos assentos no parlamento, Abe e o Partido Liberal Democrático, liderado por ele, tentaram forçar a aprovação do projeto de lei no Congresso, o que irritou ainda mais a oposição e o povo do Japão, precipitando a queda da taxa de apoio ao próprio primeiro-ministro.
Para a aprovação do projeto de Lei de Segurança Nacional, o parlamento, dominado pelo Partido Liberal Democrático, estenderá o período das sessões para 27 de setembro. O projeto de lei já foi forçado a aprovação na Câmara dos Deputados, estando agora a ser objeto de revisão pelo Senado.
Durante os últimos meses, os japoneses têm estado a realizar comícios de grande envergadura para contestar o projeto de lei de segurança. Grupos cívicos planejam realizar um comício nacional, juntando cerca de um milhão de pessoas, no dia 30 do presente mês para contestar o projeto de lei de segurança e o próprio governo de Abe.