Por Huan Yuping, Diário do Povo
O ano de 2025 marca o 80º aniversário da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e na Guerra Mundial Antifascista. O Japão, como país derrotado na Segunda Guerra Mundial, deveria ter realizado uma profunda reflexão sobre os graves crimes cometidos pelo militarismo.
No entanto, alguns indivíduos e forças no Japão continuam intensificando esforços para distorcer os fatos históricos, purificar atrocidades cometidas em tempo de guerra e até mesmo reverter julgamentos já estabelecidos sobre a guerra de agressão japonesa. Ainda mais alarmante é a tentativa de reabilitar ideologias militaristas.
Tais ações contradizem diretamente o entendimento comum da comunidade internacional sobre a história, violam gravemente o consenso internacional e a consciência humana, colocam seriamente em risco a paz e a estabilidade regionais e globais e desafiam a ordem internacional do pós-guerra.
No início de novembro, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi declarou publicamente, durante uma sessão da Dieta, que uma suposta “contingência em Taiwan” poderia constituir uma “situação que ameaça a sobrevivência”, permitindo ao Japão exercer o direito de autodefesa coletiva.
Esta é a primeira vez desde a derrota do Japão em 1945 que um líder em exercício apresenta formalmente a noção de que “uma contingência em Taiwan é uma contingência para o Japão”, vinculando-a ao exercício do direito de autodefesa coletiva.
É também a primeira vez que o Japão expressa ambições de intervir militarmente na questão de Taiwan e a primeira vez que o Japão faz uma ameaça de uso da força contra a China.
O termo “situação que ameaça a sobrevivência” evoca uma retórica histórica utilizada pelo militarismo japonês. Historicamente, ao buscar a expansão, os militaristas japoneses costumavam retratar o Japão como uma nação oprimida, sem alternativa, distorcendo fatos para mobilizar apoio interno. Uma vez que as condições permitiam, lançavam guerras sem consideração pelos oponentes, pelas consequências, por declarações formais ou pelos meios empregados. Essa mentalidade militarista continua possibilitando declarações e ações imprudentes da atual liderança japonesa.
O militarismo japonês impulsionou as guerras de agressão do Japão e permanece como a base ideológica das forças direitistas do pós-guerra.
Desde os tempos modernos, elementos tóxicos do nacionalismo centrado no imperador, do bushidô e do xintoísmo foram sistematicamente explorados e remodelados pela classe dominante japonesa. Isso foi ainda combinado com ideologias ocidentais problemáticas, como o darwinismo social, para servir às ambições militaristas.
Dado o legado devastador do militarismo, os arranjos do pós-guerra privaram explicitamente o Japão do direito de travar guerras e buscaram eliminar institucionalmente as bases para uma nova agressão.
No entanto, o Japão nunca realizou um acerto de contas completo com seu passado militarista. Ao longo de mais de oito décadas, políticos de direita têm disfarçado o militarismo como “democracia”, “Estado de direito” e “segurança”, fabricando uma lógica autocontraditória de um suposto “novo militarismo”.
No plano político, eles vêm esvaziando gradualmente a Constituição Pacifista e acelerando a guinada direitista da sociedade. No plano militar, sob o pretexto da “autodefesa”, perseguem uma expansão armamentista sem controle. No plano cultural, promovem o revisionismo histórico, tentando doutrinar as gerações mais jovens por meio de uma educação distorcida. No plano diplomático, enquanto se apresentam como “guardião da segurança regional”, repetidamente provocam disputas.
Esse chamado “novo militarismo” prejudicou gravemente as relações sino-japonesas, minou a estabilidade regional e causou danos concretos ao próprio Japão e a seus cidadãos.
O Japão carrega uma pesada e inegável responsabilidade histórica no que diz respeito à questão de Taiwan. Por meio dos quatro documentos políticos firmados entre a China e o Japão, o Japão assumiu compromissos políticos claros sobre Taiwan. As declarações e ações de Takaichi ignoram esses compromissos estabelecidos e corroem seriamente a base política da confiança mútua entre a China e o Japão.
Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança da Federação Russa, apontou que a adesão de Takaichi ao revisionismo histórico contradiz o desejo declarado do Japão de normalizar as relações com a Rússia, dadas suas repetidas retóricas antirrussas. À medida que o orçamento de defesa do Japão atinge novos recordes para 2026, cidadãos japoneses passaram a rotular com indignação os aumentos de impostos e os cortes nos gastos sociais resultantes como uma “expansão militar que encurta a vida”.
As declarações e ações equivocadas de Takaichi e de outros não são, de forma alguma, incidentes isolados. Nos últimos anos, o Japão aumentou seus gastos com defesa por treze anos consecutivos, afrouxou as restrições ao exercício da autodefesa coletiva, flexibilizou repetidamente os controles sobre exportações de armas, buscou as chamadas “capacidades de contra-ataque” e até tentou revisar os Três Princípios Não Nucleares.
Passo a passo, essas medidas esvaziam as disposições relativas ao Japão estabelecidas na Declaração do Cairo e na Proclamação de Potsdam, ao mesmo tempo que violam compromissos consagrados na Constituição japonesa. O “novo militarismo” está se tornando uma ameaça real e crescente à paz e ao desenvolvimento globais.
Se tal conduta não for corrigida, corre-se o risco de estabelecer um precedente perigoso para outros países, potencialmente encorajando outros atores a desafiar as regras e a ordem internacionais estabelecidas. Isso minaria fundamentalmente as estruturas de governança global e corroeria princípios centrais das relações internacionais, como a igualdade soberana e a não ingerência em assuntos internos, com consequências profundas para a estabilidade regional e mundial.
O “espectro persistente” do militarismo japonês é um perigo real e urgente. Caso o Japão persista nesse caminho equivocado, todos os países e povos comprometidos com a justiça têm o direito de reexaminar os crimes históricos do Japão e a responsabilidade de impedir firmemente o renascimento do militarismo. Esse é um limite comum da comunidade internacional na salvaguarda da ordem internacional do pós-guerra e um teste fundamental sobre se o próprio Japão é capaz de sustentar um desenvolvimento pacífico.