Huan Yuping, Diário do Povo
O pano de fundo do chamado “Novo Monroísmo” é a busca pela hegemonia ao invés dos princípios, por “esferas de influência” em vez da igualdade soberana, pela supremacia absoluta em vez do respeito mútuo. O mundo não precisa de uma nova doutrina de Monroe, e a história inevitavelmente a eliminará.
Recentemente, uma série de ações dos Estados Unidos contra a Venezuela — desde a realização de ataques militares, à detenção forçada do presidente venezuelano Maduro e sua esposa, ou à declaração aberta de que iriam “administrar” a Venezuela e controlar seus recursos petrolíferos — expôs de forma crua a lógica autoritária do chamado “Novo Monroísmo”. Isso não se trata apenas de uma violação grosseira da soberania de um Estado, mas também um pisoteio flagrante do direito internacional e das normas básicas das relações internacionais, centradas nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas.
O “Novo Monroísmo” não é um conceito novo, mas a continuação e uma perigosa escalada da tradicional política hegemônica dos Estados Unidos no contexto contemporâneo. No final de 2025, a nova versão do Relatório de Estratégia de Segurança Nacional dos EUA afirmou que iria “reafirmar e implementar a Doutrina Monroe” para restaurar sua posição dominante no Hemisfério Ocidental. As subsequentes ações militares contra a Venezuela, bem como as ambições em relação a Cuba, Groenlândia e outras regiões, deram à comunidade internacional uma compreensão mais concreta da essência do “Novo Monroísmo”.
Quanto aos objetivos, o “Novo Monroísmo” busca transformar o Hemisfério Ocidental num alegado “nosso hemisfério” para os políticos norte-americanos, fazendo com que o território, os recursos e as políticas internas e externas dos países da região sirvam à vontade dos Estados Unidos. Quanto aos meios, ele depende abertamente de ataques militares, coerção econômica e subversão de governos, refletindo a lógica de “a força acima de tudo” e de “América em primeiro lugar”.
A história é um espelho. O histórico de intervenções dos Estados Unidos na América Latina é marcado por saques e sofrimento: em 1848, tomaram mais da metade do território do México; ao longo do século XX, invadiram repetidamente países latino-americanos, fazendo com que a região se tornasse por muito tempo o “quintal estratégico” dos EUA e uma fonte de fornecimento de recursos.
Como revelou o escritor uruguaio Eduardo Galeano em As Veias Abertas da América Latina, trata-se ainda do mesmo roteiro de “exploração exógena”: os recursos de outros países transformam-se no combustível que sustenta a hegemonia norte-americana.
Hoje, o “Novo Monroísmo” está causando impactos abrangentes na América Latina e no Caribe. Desde a criação de crises de segurança, interferência em assuntos internos e pilhagem de recursos, à incitação de antagonismos entre países da região, ele comprime severamente o espaço de autonomia estratégica dos Estados e impede a integração regional e o desenvolvimento independente.
Os danos do “Novo Monroísmo” não se limitam à América Latina. O secretário-geral da ONU, António Guterres, apontou que o uso da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela estabeleceu um “precedente perigoso”. Políticos norte-americanos chegaram a declarar que “não se importam com o que a ONU diz”, expondo seu desprezo pelo multilateralismo e pela ordem internacional. Esse comportamento, que coloca o poder acima dos princípios, corrói as regras internacionais e traz insegurança e instabilidade ao mundo.
A Carta das Nações Unidas estabelece claramente que as relações entre os Estados devem basear-se no princípio da igualdade soberana e que é proibido o uso da força para violar a integridade territorial e a independência política de outros países. O consenso mais amplo da comunidade internacional hoje é justamente defender esse princípio e se opor a qualquer forma de hegemonia. A condenação global provocada pelo “Novo Monroísmo” não apenas revela a brutalidade arbitrária da expansão hegemônica, como também reflete a tendência histórica irreversível da multipolarização mundial e da democratização das relações internacionais.
A força pode decidir ganhos e perdas momentâneos, mas a razão determina vitórias duradouras. Diante das ameaças hegemônicas, a comunidade internacional deve posicionar-se firmemente do lado correto da história, defender conjuntamente a justiça e a equidade internacionais e salvaguardar o caminho legítimo da paz e do desenvolvimento mundial.