A formulação científica e a implementação contínua dos planos quinquenais são um meio fundamental pelo qual o Partido Comunista Chinês governa o país, bem como uma importante janela para a comunidade internacional compreender melhor o caminho da China rumo à modernização.
O Diário do Povo Online lançou a série "Entendendo a China", um novo programa que se concentra no 15º Plano Quinquenal (2026-2030). A série examina o planejamento de desenvolvimento, as oportunidades e a abordagem de governança da China, com o objetivo de esclarecer equívocos e promover o entendimento e o reconhecimento mútuos.
Neste episódio de "Entendendo a China", o Professor Gong Jiong, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, dialoga com John Quelch, vice-reitor executivo da Universidade Duke Kunshan e vencedor do Prêmio Magnólia de Prata de Shanghai de 2012.
Juntos, eles oferecem uma análise aprofundada da direção do desenvolvimento da China e de seus principais objetivos para os próximos cinco anos. Ao abordarem as preocupações externas sobre o rápido desenvolvimento da China, ambos os acadêmicos explicam a estratégia chinesa de se concentrar na gestão eficaz de seus assuntos internos, ao mesmo tempo que o país compartilha oportunidades de desenvolvimento com países ao redor do mundo. Eles também destacam caminhos para a coexistência e o engajamento construtivo entre a China e os Estados Unidos.
"O processo de planejamento na China sempre foi extremamente importante como componente do sucesso do país", observou Quelch. Ele enfatizou que os planos comunicam claramente a agenda e os objetivos de desenvolvimento da China para o mundo, refletindo um elevado grau de transparência e abertura em sua trajetória de desenvolvimento.
Em resposta às narrativas internacionais que sugerem que "a China está se voltando para dentro", Gong comentou: "Somos o maior exportador do mundo. Como pode o maior exportador do mundo não ser aberto, certo? Não podemos nos dar ao luxo de não sermos abertos".
Quelch acrescentou que a mudança da China para um modelo econômico impulsionado pela demanda interna não representa uma transição da globalização para o isolamento. Na verdade, trata-se de uma "estratégia paralela": ao mesmo tempo que impulsiona o consumo e expande a demanda interna, a China continua a incentivar o investimento no exterior, a apoiar as empresas na sua "internacionalização" e a aprofundar a cooperação internacional.
Gong salientou ainda que a questão de saber se a China enfrenta um alegado "excesso de capacidade" deve, em última análise, ser avaliada pelo mercado global. Tomando como exemplo a indústria automobilística, ele argumentou que "a Europa não pode simplesmente se isolar e bloquear as importações para proteger o mercado".
Quelch afirmou: "A parceria é absolutamente fundamental para o sucesso. O que pode parecer excesso de capacidade interna em veículos elétricos é, na verdade, a capacidade adequada para os mercados mundiais. Assim, de certa forma, o 'excesso de capacidade' chinês é uma dádiva para o mundo".
Em relação à competição nas relações China-EUA, Quelch enfatizou que "os Estados Unidos precisam ter mais confiança em sua capacidade de competir com a China sem precisar impor barreiras tarifárias e controles de exportação. Mas, ao mesmo tempo, a China, considerando tudo o que conquistou, deveria ter mais confiança em sua capacidade de competir com os Estados Unidos, abrindo ainda mais o mercado interno".
Gong concordou e pediu que ambos os países fortaleçam o diálogo, reduzam os vieses cognitivos e criem conjuntamente mais oportunidades para a cooperação e o desenvolvimento econômico global. "Espero que esta seja uma competição justa, equitativa e pacífica", concluiu.