Xu Peiyu e Zhu Yingxi

Uma banda de robôs se apresenta no palco na vila de Shiqiao, Huangshan, província de Anhui, no leste da China. (Foto/Shi Yalei)
Recentemente, robôs humanoides passaram a se tornar presença comum em eventos comerciais, encontros corporativos e celebrações culturais em toda a China. Versáteis, essas máquinas transitam com facilidade entre diferentes funções — recepcionando convidados em um dia e se apresentando no palco no seguinte — assumindo uma série de trabalhos temporários.
O lançamento de plataformas especializadas de locação transformou essa ideia de uma fase experimental para uma aplicação em escala. Analistas do setor apontam que o modelo reduz barreiras de adoção, amplia os cenários de uso e impulsiona o aprimoramento de produtos, a padronização de serviços e o desenvolvimento da cadeia de suprimentos, dando origem a múltiplas tendências emergentes.
As empresas de robótica AgiBot e Flycode lançaram conjuntamente uma plataforma de aluguel com pacotes voltados a cenários específicos. Um pacote para celebrações festivas, ao custo diário de 2.500 yuans (US$ 358,87), inclui dois robôs humanoides e um cão robótico para interação com o público e apresentações. Há ainda opções personalizadas para eventos corporativos, promoções em shoppings, competições esportivas, feiras comerciais, shows e serviços turísticos.
Segundo um executivo da AgiBot, as locações atuais concentram-se em engajamento emocional e experiências interativas, com foco em atrair público, valorizar eventos ao vivo e oferecer ativações com temática tecnológica. Os preços, definidos pelo mercado, variam de algumas centenas a dezenas de milhares de yuans por dia, dependendo do modelo e do período de uso.
“Desde o lançamento oficial da plataforma, em 22 de dezembro de 2025, já atraímos mais de 160 mil usuários cadastrados. O volume diário de pedidos se estabilizou acima de 200, e esperamos um aumento significativo durante o período do Ano-Novo Chinês”, afirmou o executivo.
A ampliação do número de fornecedores tem pressionado os preços para baixo ao longo do último ano. A prática padrão inclui a presença de um operador técnico no local — geralmente um engenheiro por robô — para dar suporte durante toda a utilização.
Hui Jianzhong, gerente-geral de uma empresa de aluguel de robôs sediada em Shanghai, relata que mais de 95% da demanda atual é por uso de curto prazo. “A maioria dos clientes não precisa de posse permanente”, explicou. “Eles buscam implantações tecnológicas de alto impacto para momentos-chave e eventos de grande visibilidade”.
Entre os modelos mais procurados estão robôs humanoides como a série AgiBot X2, conhecida por suas apresentações interativas e visual futurista. De acordo com o feedback do mercado, modelos de médio e alto padrão, alugados por alguns milhares de yuans por dia, são especialmente valorizados por clientes comerciais, graças à combinação de funcionalidade abrangente e forte apelo visual.
Projeções do setor estimam que o mercado chinês de locação de robôs humanoides alcançará pelo menos 10 bilhões de yuans até 2026.
“A economia robôs humanoides representa um caminho crucial para que a inteligência incorporada alcance escala comercial”, destacou o executivo da AgiBot. “Ela transforma ativos fixos de alto valor em serviços flexíveis sob demanda, reduzindo significativamente as barreiras de uso para empresas — especialmente pequenas e médias. A demanda de mercado é real, os cenários de aplicação se expandem rapidamente e o potencial de crescimento é enorme”.
O modelo de locação encontrou sua aplicação mais precoce e prática no setor de entretenimento e lazer. Segundo Zhang Lihua, vice-diretora da Faculdade de Robótica Inteligente e Manufatura Avançada da Universidade Fudan, apresentações com robôs possuem apelo visual inerente e grande potencial de engajamento do público. Há uma demanda consistente e ampla para esse tipo de aplicação em shows, produções de cinema e televisão, parques temáticos, eventos comerciais e atividades de turismo cultural. Isso faz do entretenimento um dos campos mais promissores para que robôs humanoides alcancem, no momento, um modelo comercial sustentável.
Zhang também destacou duas transformações no setor: o surgimento de empresas especializadas na aquisição, operação e prestação de serviços com robôs, e a influência da demanda por locação sobre as prioridades de design dos fabricantes. “As empresas estão cada vez mais focadas em capacidades específicas para determinados cenários, em vez de perseguir robôs humanoides puramente de uso geral”, observou.
O próprio modelo de locação evolui do simples aluguel de equipamentos para soluções integradas que incluem hardware, pacotes de movimentos e habilidades, coreografia de conteúdo, suporte operacional e gestão de segurança. Essa transição permite a oferta de serviços contínuos e sustentáveis, em vez de entregas pontuais.
“À medida que a tecnologia robótica amadurece e os custos de hardware caem de forma constante”, projetou Zhang, “os robôs humanoides deverão se expandir para diversos setores, passando gradualmente de trabalhadores temporários para funcionários permanentes no mercado de trabalho”.