
Mojtaba Khamenei, o novo Líder Supremo do Irã. (Foto de arquivo: Xinhua)
O novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, pediu na quinta-feira (12) a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz e prometeu abrir novas frentes no conflito de seu país com os Estados Unidos e Israel.
Ele fez essas declarações em sua primeira mensagem publicada em seu site desde o anúncio, no domingo (8), de sua nomeação como Líder Supremo do Irã.
"A exigência das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e que cause arrependimento [ao inimigo]. Além disso, a alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve, definitivamente, continuar a ser utilizada", disse Khamenei, dirigindo-se ao povo e às forças armadas do país.
"Foram realizados estudos sobre a abertura de outras frentes de batalha onde o inimigo tem pouca experiência e será extremamente vulnerável; a ativação dessas frentes ocorrerá caso a situação de guerra persista e com base na avaliação dos interesses [nacionais]", afirmou.
Khamenei expressou suas condolências pelo "martírio doloroso" de seu pai, o ex-Líder Supremo Ali Khamenei, dizendo ter tomado conhecimento da decisão da Assembleia de Especialistas de escolhê-lo como o novo líder do Irã — assim como os demais iranianos — por meio da emissora estatal IRIB TV.
O novo Líder Supremo elogiou as "bravas" forças armadas do país, as quais "bloquearam o caminho dos inimigos com seus golpes contundentes e dissiparam a ilusão destes de serem capazes de dominar ou, possivelmente, dividir o Irã".
Ele prometeu vingar o "sangue dos mártires do Irã" e afirmou que o país buscará reparações junto aos seus "inimigos". Caso estas sejam recusadas, "tomaremos uma quantidade de bens deles que nós mesmos determinaremos; e, se isso não for possível, destruiremos uma quantidade equivalente de seus bens", declarou.

Soldados iranianos patrulham o Estreito de Ormuz, no sul do Irã, em 30 de abril de 2019. (Foto: Ahmad Halabisaz/Xinhua)
Khamenei disse que o Irã está disposto a manter relações "cordiais e construtivas" com todos os 15 países com os quais compartilha fronteiras terrestres ou marítimas. No entanto, devido à presença de bases militares e financeiras do "inimigo" em alguns deles, os ataques iranianos a essas instalações continuarão, sem atingir os próprios vizinhos, afirmou ele.
Ele aconselhou os vizinhos do Irã a fecharem as bases norte-americanas em seus territórios o mais rápido possível, "visto que já devem ter percebido, a esta altura, que a alegação dos EUA de estabelecer segurança e paz não passava de uma mentira".
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques conjuntos contra Teerã e várias outras cidades iranianas, matando o então Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, juntamente com altos comandantes militares e civis. O Irã respondeu lançando ondas de ataques com mísseis e drones, visando Israel, bem como bases e ativos norte-americanos no Oriente Médio.
Autoridades dos EUA e de Israel afirmaram estar se preparando para pelo menos mais duas semanas de ataques no Irã, sem qualquer diretriz interna sobre quando os combates poderão cessar, de acordo com uma reportagem do Axios publicada na quarta-feira (11).