Montadoras chinesas priorizam mercado local para crescer globalmente

Fonte: Diário do Povo Online    17.03.2026 16h17

As montadoras chinesas estão expandindo sua atuação no exterior como nunca antes — e, cada vez mais, não estão apenas exportando veículos.

No ano passado, a China exportou 7,09 milhões de veículos novos - um aumento de 21,1% em relação ao ano anterior - tornando o país o maior exportador de veículos do mundo pelo terceiro ano consecutivo, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM).

Veículos fabricados na China, não apenas de marcas chinesas como Chery e BYD, mas também de marcas globais como Tesla, Ford, Hyundai e Chevrolet, agora são encontrados em mercados que vão do Sudeste Asiático e da América do Sul à Europa e ao Oriente Médio.

Um dos principais impulsionadores das exportações chinesas tem sido o setor de veículos de nova energia (NEVs), cujas exportações no ano passado totalizaram 2,61 milhões de unidades, o dobro em relação ao ano anterior e representando mais de 37% do total das exportações, afirmou a CAAM.

A associação espera que os NEVs impulsionem ainda mais as exportações de veículos da China para 7,4 milhões de unidades este ano.

Por trás dos números principais, no entanto, uma mudança mais profunda está em curso.

As exportações tradicionais de veículos, impulsionadas pelo comércio exterior, estão evoluindo rapidamente para uma forma muito mais complexa de globalização — que inclui vendas no exterior, produção, cadeias de suprimentos localizadas, pesquisa e desenvolvimento, redes de serviços e, cada vez mais, cooperação com montadoras internacionais para reequilibrar a capacidade de produção global.

Para as montadoras chinesas, a internacionalização deixou de ser uma opção estratégica e se tornou uma necessidade estrutural, afirmou Zhang Yongwei, presidente da China EV100, um think tank do setor automotivo com sede em Beijing.

"Um mercado, mesmo tão grande quanto o da China, é limitado", explicou.

No ano passado, o mercado global de veículos da China atingiu o recorde de 34 milhões de unidades, deixando pouco espaço para crescimento de volume a longo prazo. A CAAM estima que o mercado chinês crescerá apenas 1% ao ano a partir de 2025.

"Portanto, a competição dependerá de quem conseguir estabelecer uma posição sólida no exterior e operar tanto no mercado doméstico quanto no internacional", concluiu.

(Web editor: Beatriz Zhang, Renato Lu)
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