Pelo menos oito pessoas morreram na quarta-feira em uma operação policial contra o tráfico de drogas em diversas favelas do centro do Rio de Janeiro. A operação resultou na queima de vários ônibus e no bloqueio de diversas ruas, informaram fontes policiais.
Os eventos ocorreram no início da manhã, durante uma grande operação policial para cumprir mandados de prisão contra membros do Comando Vermelho (a maior facção criminosa do Rio de Janeiro) acusados de participação em roubos de veículos e tráfico de drogas nas favelas do Prazeres, Fallet, Coroa, Escondidinhos e Paula Ramos, situadas entre os bairros de Rio Comprido e Santa Tereza.
Os policiais foram recebidos a tiros pelos membros da facção que controlam as comunidades, e um intenso tiroteio se seguiu, no qual Jiló dos Prazeres, o chefão do tráfico na favela do Prazeres, e seis supostos membros da facção foram mortos.
Durante a tentativa de fuga dos traficantes, o morador da favela Leandro Silva Souza e sua esposa foram feitos reféns dentro de casa por seis bandidos. Segundo a polícia, durante a tentativa de negociação frustrada, o morador e todos os bandidos foram mortos. A mulher foi resgatada e levada ao Hospital Souza Aguiar em estado de choque.
A origem do tiro que matou Leandro ainda será investigada.
Dois PMs ficaram feridos. Um levou um tiro de raspão, foi atendido e liberado, e o outro foi atingido por estilhaços. A mulher de Jiló também levou um tiro, na perna, e foi internada no Hospital Municipal Souza Aguiar. O quadro de saúde dela é estável, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Outros seis suspeitos foram presos. Dois fuzis, cinco pistolas, dois revólveres e farta quantidade de drogas foram apreendidos.
Segundo a polícia, Claudio Augusto dos Santos, de 55 anos, conhecido como Jiló dos Prazeres, era o chefe da comunidade dos Prazeres, em Santa Teresa, e um dos criminosos mais antigos da facção. Jiló era um dos membros de gangue mais procurados do Rio de Janeiro, com pelo menos 135 acusações contra ele e oito mandados de prisão em aberto. Segundo os investigadores, ele era o principal responsável da quadrilha que atua roubando na Zona Sul do Rio.
Em represália pela morte de Jiló dos Prazeres, traficantes de drogas incendiaram vários ônibus no centro do Rio de Janeiro e bloquearam diversas ruas da região. Um dos ônibus foi incendiado por volta das 11h na Avenida Paulo de Frontin, um dos principais acessos ao Túnel Rebouças, que liga o Centro à Zona Sul e que só foi liberado à tarde.