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Entendendo a Economia Chinesa: O fôlego da demanda doméstica da China

Fonte: Diário do Povo Online    01.04.2026 11h11

Nota da edição: A economia da China avança de forma constante ao longo do caminho de um desenvolvimento de alta qualidade, mesmo diante de circunstâncias domésticas e internacionais cada vez mais complexas. Alguns veículos de mídia ocidentais, devido a equívocos ou vieses, têm repetidamente questionado ou até mesmo distorcido o desenvolvimento econômico da China. Diante disso, o Global Times lançou a coluna "Perguntas e Respostas sobre a Economia da China" para publicar artigos de opinião com o objetivo de apresentar fatos e esclarecer percepções.

Nas discussões sobre o crescimento econômico da China, alguns veículos de mídia ocidentais alegam que a demanda interna insuficiente se tornou um grande gargalo, afetando a circulação econômica do país. Mas será que o consumo da China realmente perdeu o fôlego? Para responder a essa pergunta, é preciso, antes de tudo, ter uma compreensão adequada dos padrões de desenvolvimento industrial. Simplificando, a economia da China está migrando para um modelo impulsionado pelo consumo, com amplas perspectivas de crescimento e um forte impulso subjacente.

Hoje, a China superou a fase de crescimento acelerado típica do estágio intermediário da industrialização e está em transição rumo a um desenvolvimento de alta qualidade, impulsionado principalmente pelo consumo de serviços. Este não é apenas um padrão econômico objetivo, mas também uma oportunidade histórica. Novos vetores de crescimento, centrados no consumo de serviços, na economia da experiência e na inovação tecnológica, começam a preencher a lacuna deixada pela contribuição cada vez menor dos investimentos em imóveis e infraestrutura.

A China está prestes a ingressar numa nova fase de crescimento de longo prazo, impulsionada pelo consumo de serviços e movida por um processo de "dupla iteração". À medida que o dinamismo do crescimento se desloca dos investimentos e das exportações em direção ao consumo, uma desaceleração gradual nas taxas de crescimento constitui um padrão comum.

A curva em forma de U, que descreve a relação entre consumo e investimento no processo de industrialização das grandes economias, tem sido repetidamente confirmada. No estágio intermediário da industrialização, o capital concentra-se fortemente em infraestrutura, indústria e setor imobiliário, enquanto o consumo das famílias acaba sendo "deslocado". À medida que a urbanização avança, a participação do consumo na economia declina, formando o lado esquerdo da curva de consumo em forma de U. No estágio mais avançado da industrialização, o capital migra para os setores de consumo, o efeito de deslocamento se atenua e a participação do consumo atinge seu ponto mínimo para, em seguida, iniciar uma recuperação, inaugurando assim a "fase de ouro" do crescimento, situada no lado direito da curva de consumo em forma de U.

A China encontra-se, neste momento, num ponto de inflexão crucial, no qual a curva transita do lado esquerdo para o direito. O consumo das famílias está passando por uma rápida evolução, deslocando-se de gastos voltados à subsistência e a bens materiais para um consumo orientado ao desenvolvimento pessoal, às experiências e aos serviços. Setores de serviços como cultura e turismo, cuidados com idosos e bem-estar, esportes, serviços domésticos e entretenimento cultural estão aumentando, de forma constante, sua participação no consumo total e tornando-se pilares fundamentais do crescimento econômico. Essa transformação não sinaliza o fim do crescimento, mas sim uma reestruturação dos vetores que o impulsionam.

A história demonstra que um crescimento estável, impulsionado pelo consumo, é a chave para a prosperidade a longo prazo. Das décadas de 1950 a 1970, os Estados Unidos ingressaram numa era de ouro da economia de consumo, criando um ciclo de crescimento estável que perdurou por quase 30 anos. Durante esse período, a taxa média de crescimento anual do país situou-se em apenas cerca de 4,3%. Esse índice indica que os EUA haviam superado a fase de crescimento acelerado, passando a depender, em vez disso, da expansão sustentada do consumo das famílias para alcançar um desenvolvimento econômico firme. Essa era também deu origem a muitas marcas de classe mundial nos setores de serviços e da economia da experiência, tais como McDonald's, Walmart, Starbucks e Disney, contribuindo para o estabelecimento de um sistema maduro e moderno de indústria de serviços.

Entre essas marcas, o McDonald's surgiu numa época marcada pela redução do tamanho das famílias, por um ritmo de vida mais acelerado, pela adoção generalizada do automóvel e por um aumento acentuado na demanda por refeições fora de casa. À medida que a suburbanização ganhava força, o Walmart fincou raízes em cidades de pequeno porte, adotando um modelo operacional de baixo custo e demonstrando a inevitabilidade do varejo em rede e das economias de escala.

Na era pós-industrial, o consumo deslocou-se gradualmente em direção à satisfação de necessidades de ordem psicológica e social. A Starbucks, ao posicionar-se em torno do conceito de "terceiro lugar", elevou o café de uma simples bebida a um estilo de vida, alinhando-se à tendência mais ampla de aprimoramento do consumo rumo a uma orientação voltada para os serviços.

Como um marco da ascensão do consumo de entretenimento nas etapas finais da industrialização norte-americana, a Disney edificou um império de experiências que abrange desde a produção de animações até a operação de parques temáticos, centrado na gestão de propriedade intelectual (IP), na padronização de toda a cadeia produtiva e no empoderamento digital, o grupo tornou-se, gradualmente, uma referência na integração entre padronização e digitalização no âmbito da economia da experiência. O crescimento estável, o contínuo aprimoramento do consumo e a consolidação de marcas de serviços constituíram, em conjunto, os alicerces da prosperidade econômica.

O consumo na China ainda mantém um ímpeto considerável. Sua atual faixa de crescimento assemelha-se muito àquela observada nos Estados Unidos durante sua "era de ouro" do consumo, demonstrando que um crescimento moderado e estável é uma característica típica de uma economia impulsionada pelo consumo, e não um sinal de fraqueza econômica.

Como uma economia de desenvolvimento tardio, a China também possui vantagens singulares. Enquanto os modelos de consumo continuam evoluindo, o país passa, simultaneamente, por uma transformação digital em seu setor de serviços. Esses dois processos avançam em paralelo. A evolução dos modelos de consumo corresponde à qualificação da demanda do consumidor.

As "Duas Sessões" deste ano propuseram explicitamente o fomento da marca "Serviços da China" (China Services), iniciativa que se alinha a essa tendência de qualificação e visa promover a padronização, a construção de marcas e a escalabilidade de setores como gastronomia, varejo, turismo cultural e serviços de saúde, fomentando o surgimento de gigantes de serviços modernos, com características únicas da China.

A transformação digital, por sua vez, emprega ferramentas como inteligência artificial e big data para potencializar e aprimorar a qualificação do consumo. Novas infraestruturas digitais podem reduzir os custos de transação por meio da digitalização, otimizar os processos de prestação de serviços e promover um alinhamento preciso entre oferta e demanda, viabilizando a integração entre serviços online e offline e conexões mais eficientes entre quem oferece e quem busca serviços. A combinação das indústrias de serviços tradicionais com as tecnologias digitais está dando origem a novos modelos e formatos de negócios, permitindo que as marcas de serviços cresçam mais rapidamente, alcancem públicos mais amplos e inovem de forma mais profunda do que seria possível seguindo os caminhos tradicionais.

Em suma, a transformação da China rumo a uma economia impulsionada pelo consumo é sustentada tanto por padrões históricos quanto pela força potencializadora das novas tecnologias, conferindo-lhe um potencial ainda maior e um espaço mais amplo para o desenvolvimento. Trata-se não apenas de uma atualização industrial, mas também de uma mudança fundamental na lógica do crescimento econômico. A alegação da mídia ocidental de que a demanda interna da China estaria perdendo fôlego é totalmente infundada.

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