
Convidados presentes à Conferência Global da UNESCO ASPnet 2026 encontram as bandeiras nacionais de seus países, antes da cerimônia de abertura em Sanya, província de Hainan, na terça-feira. O evento reúne coordenadores nacionais da ASPnet de todo o mundo. (Foto: China Daily)
À medida que a inteligência artificial remodela as salas de aula em todo o mundo, a tecnologia deve ser utilizada apenas como uma ferramenta de aprendizagem para otimizar os métodos de ensino, e não como um substituto para os professores, afirmaram líderes globais da educação na terça-feira (31).
Eles fizeram essas observações durante a Conferência Global da Rede de Escolas Associadas da UNESCO (ASPnet) de 2026, que teve início no mesmo dia em Sanya, província de Hainan.
A conferência, com duração de três dias, reuniu representantes de mais de 50 países e regiões para refletir sobre o crescente consenso global de que a reforma educacional na era digital deve permanecer centrada no ser humano, mesmo enquanto as escolas aceleram a adoção da IA e de outras tecnologias.
Kim Min-jeong, diretora da Divisão de Educação 2030 da UNESCO, observou que professores bem preparados constituem o cerne de uma educação de qualidade.
"Precisamos garantir que tenhamos bons professores, bem preparados, para oferecer uma educação de qualidade a todos os jovens em todo o mundo", disse ela, acrescentando que os intercâmbios presenciais oferecem um valor inestimável que nenhuma conexão digital pode substituir.
Os participantes enfatizaram que uma abordagem centrada no ser humano exige o enfrentamento das desigualdades no que diz respeito ao acesso à tecnologia.
Lamin Jarjou, coordenador nacional da ASPnet para a Gâmbia, afirmou que o ritmo desigual da digitalização continua sendo um desafio. "Não temos acesso igualitário à digitalização em nível global. Países como o meu ainda estão tentando acompanhar", acrescentou.
A conferência, cujo tema é "Educação Transformadora em Ação", concentra-se em promover a compreensão mútua, compartilhar melhores práticas e incentivar abordagens inovadoras que capacitem os jovens a construir um futuro mais sustentável e pacífico.
Os educadores destacaram como os princípios centrados no ser humano estão moldando o uso da IA nas salas de aula.
Na China, por exemplo, um sistema de análise de sala de aula baseado em IA, desenvolvido pela Universidade Normal do Leste da China, foi colocado em uso regular em mais de 500 escolas, abrangendo 15 regiões de nível provincial. O sistema analisa as sessões de aula gravadas e gera relatórios de diagnóstico em até 15 minutos.
Até o momento, o sistema processou mais de 19.000 vídeos de aulas, e os resultados têm sido utilizados para subsidiar pesquisas pedagógicas, reflexões sobre a prática em sala de aula e a formação continuada de professores.
Zhang Wei, diretora executiva do Centro Internacional da ASPnet da UNESCO, afirmou que tais ferramentas são concebidas para aprimorar a capacidade dos professores, e não para substituí-los.
Na China, tecnologias como a realidade virtual e a realidade estendida estão permitindo que os alunos desenvolvam soluções baseadas em inteligência artificial para a proteção ambiental e a conservação cultural, observou Zhang.
A China posicionou a educação no centro de seus esforços mais amplos de modernização. Ren Youqun, vice-ministro da Educação e presidente da Comissão Nacional Chinesa para a UNESCO, afirmou que o país continuará a explorar novos modelos no ensino de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, ao mesmo tempo em que avança na transformação digital.
Uma plataforma fundamental de apoio a esses esforços é a iniciativa de educação digital "Educação para o Amanhã" (Education for Tomorrow), que disponibiliza recursos globais para professores nas áreas STEM e na educação para o desenvolvimento sustentável. Os planos futuros incluem a integração de recursos de apoio à aprendizagem impulsionados por inteligência artificial e a viabilização da colaboração internacional em tempo real entre educadores.
Criada em 1953, a ASPnet conecta atualmente cerca de 10.000 escolas em aproximadamente 170 países e regiões, envolvendo centenas de milhares de professores e milhões de estudantes. Stefania Giannini, diretora-geral adjunta de Educação da UNESCO, descreveu a rede como "um verdadeiro veículo" para a promoção dos valores fundamentais da organização.
Para muitos participantes, a conferência reflete esses valores em ação. Yousriya Al Harthi, coordenadora nacional da ASPnet em Omã, afirmou que tais encontros oferecem uma oportunidade crucial para a aprendizagem entre pares. "É uma chance de promover o intercâmbio cultural, aprender com nossos colegas e compartilhar as melhores práticas", disse ela, acrescentando que a aprendizagem entre pares é um dos métodos de aprendizado mais eficazes.