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Ameaças dos EUA de 'bombardear' Irã reacendem medo

Fonte: Diário do Povo Online    03.04.2026 10h53

As esperanças de uma desescalada das tensões no Oriente Médio foram frustradas novamente na quarta-feira (3), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o Irã seria atingido "com força extrema nas próximas duas a três semanas", mesmo enquanto afirmava que os objetivos centrais de Washington estavam "próximos da conclusão".

Em um discurso em horário nobre na Casa Branca na quarta-feira, Trump redobrou a aposta, ameaçando bombardear o Irã de volta à "Idade da Pedra", apesar de alegar que o país foi "aniquilado" e não representa mais ameaça.

O Irã respondeu lançando mais mísseis contra Israel e os países do Golfo na quinta-feira (4), demonstrando a capacidade contínua de Teerã de atacar seus vizinhos.

Em seu discurso, Trump chamou o Irã de "valentão do Oriente Médio" ao justificar a guerra em curso, dizendo que ela é um "investimento para o futuro de seus filhos e de seus netos".

Ao exortar outras nações a desbloquearem o Estreito de Ormuz, Trump afirmou que os países que dependem do estreito para seu abastecimento de combustível precisam cuidar da passagem. "Eles devem tomá-la e valorizá-la. Podem fazer isso facilmente", disse, acrescentando: "Nós ajudaremos, mas eles devem liderar a proteção do petróleo de que tanto dependem."

Trump também agradeceu o apoio de aliados dos EUA no Oriente Médio, principalmente Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar e Bahrein. Omã, que esteve envolvido em negociações com o Irã antes dos ataques de 28 de fevereiro, não foi mencionado.

O petróleo subiu mais de 7% após o discurso de Trump. O Brent, referência internacional, saltou 7,4%, para US$ 108,69 por barril.

Mehran Kamrava, professor de governo na Universidade de Georgetown, no Catar, disse ao China Daily que o discurso de Trump teve a intenção de justificar para o público doméstico a duração da guerra contra o Irã, bem como a causa da guerra e os altos preços da gasolina nos EUA. Kamrava observou que nada mudou com o discurso de Trump, afirmando que havia expectativa de que o presidente anunciasse uma invasão terrestre ao Irã ou uma desescalada do conflito.

"E ele não fez nem uma coisa nem outra", disse Kamrava. "O fato de ele ter agradecido à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos, ao Bahrein e ao Catar pela ajuda na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã… só justifica ainda mais os ataques iranianos aos países do Golfo."

Ele afirmou que o discurso de Trump apenas comprovou as alegações iranianas de que um número significativo de militares dos EUA está presente em todo o Golfo Pérsico, de que bases americanas estão sendo usadas na guerra contra o Irã e de que mísseis estão sendo lançados contra o país a partir dos Emirados Árabes Unidos.

"Todas essas alegações — feitas pelo Irã e agora admitidas por Trump — de que os países do Golfo Pérsico estão ajudando no esforço de guerra", disse Kamrava.

O discurso de Trump à nação ocorreu horas depois de o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter reafirmado em uma longa publicação no X que o Irã não nutre "inimizade" nem "má vontade" em relação aos cidadãos comuns dos EUA, aos europeus ou aos seus vizinhos do Golfo.

Em resposta às alegações de Trump de que Teerã concordará com um acordo dentro de duas a três semanas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse à Al Jazeera que o Irã "não tolerará esse ciclo vicioso de guerra, negociações, cessar-fogo e repetição do mesmo padrão". Ele disse que o Irã continuará a revidar enquanto os ataques dos EUA e de Israel continuarem, mas reiterou que Teerã não considera seus vizinhos do Golfo como "inimigos", classificando o conflito como "catastrófico não apenas para o Irã, mas para toda a região e além".

"Esta é uma guerra injusta que foi imposta ao povo iraniano. Não temos escolha a não ser revidar com força", disse Baghaei.

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