Por Zhong Sheng

A população japonesa manifesta forte oposição.
O ministério da Defesa do Japão instalou, na terça-feira (31), os primeiros mísseis de longo alcance com a “capacidade de ataque a bases inimigas” nas províncias de Kumamoto e Shizuoka. Estas armas, de natureza claramente ofensiva, ultrapassam em muito o âmbito da “defesa exclusiva”, violando gravemente a Constituição japonesa e documentos do direito internacional, como a Declaração do Cairo e a Proclamação de Potsdam. A medida evidencia a tendência do “novo militarismo” japonês, ameaçando seriamente a paz regional.
Sob o pretexto de uma “grave situação de segurança”, o Japão alega que os mísseis servem para “reforçar a dissuasão e a capacidade de resposta”. Trata-se, na verdade, da habitual “narrativa de crise” das forças de direita, que visa desmantelar o sistema pacifista do pós-guerra, subverter o princípio da “defesa exclusiva” e promover uma mudança para uma constituição que permita travar guerras. A chamada “capacidade de defesa” não passa de um biombo para desenvolver poder ofensivo.
Um antigo alto funcionário do gabinete japonês lamentou: “Neste momento, o Artigo 9.º da Constituição japonesa tornou-se uma mera formalidade.” O Japão comprometera-se a “renunciar para sempre à guerra”, e a Proclamação de Potsdam proíbe o seu rearmamento. Contudo, através dos novos “três documentos de segurança” que consagram a “capacidade de contra-ataque”, e agora com a instalação de mísseis ofensivos, o Japão tem vindo a libertar-se das amarras da “constituição pacifista”, expondo a sua ambição de “remilitarização”.
O Japão planeja adquirir e instalar mais mísseis nos próximos anos. O orçamento de defesa aumentou catorze anos consecutivos, destinando-se principalmente a capacidades ofensivas. Esta medida não só ameaça a segurança dos países vizinhos, como também torna a situação regional mais complexa e sensível, despertando forte preocupação entre os países asiáticos e a comunidade internacional.
A população japonesa manifesta forte oposição, realizando protestos em várias localidades para criticar o governo por não ter promovido sessões de esclarecimento público. Os residentes temem que as áreas onde os mísseis estão destacados se tornem alvos fáceis, e apontaram que a “Dissuasão não cria paz” e “Não precisamos de mísseis para preparação militar”. Esta aventura militar, que sacrifica o bem-estar do povo e prejudica a paz regional, contraria a tendência do desenvolvimento pacífico e não serve aos interesses fundamentais do país e do povo japonês.
O “novo militarismo” do Japão não só prejudica os vizinhos, como acabará por se voltar contra si próprio. Ao usar os mísseis como uma “faca”, a direita japonesa julga ter a chave da segurança, mas coloca-se diante do fio da navalha. O Japão deve refletir profundamente sobre a sua história de agressão, cumprir a constituição pacifista e cessar quaisquer atos que prejudiquem a estabilidade regional.