À medida que a primavera desabrocha em Wuhan, a capital da Província de Hubei, no centro da China, o ginásio da Universidade de Hubei ressoa com batidas rítmicas de tambores e movimentos ágeis e ondulantes de dragões coloridos. Entre os performers está Miguel de Oliveira Manacero, um estudante brasileiro de 24 anos, que manobra habilmente a cabeça do dragão, liderando seus colegas de equipe nos ensaios para a próxima turnê cultural.
Em meados de abril, Manacero retornará a seu país natal, o Brasil, com uma delegação universitária, visitando cinco cidades para apresentar as tradicionais danças do dragão da China.
Este ano marca o Ano Cultural China-Brasil, o primeiro desse tipo nas relações bilaterais de mais de meio século entre os dois países, e as duas partes planejaram uma série de atividades de intercâmbio.
Manacero disse que está ansioso para levar a dança do dragão chinês aos brasileiros para mostrar o quão maravilhosa é a arte do dragão chinês.
A conexão de Manacero com a cultura chinesa começou na infância, no estado de São Paulo. Aos cinco anos, ele ficou encantado com os movimentos graciosos das artes marciais chinesas praticadas por seus primos.
Ele lembra que, naquela época, ainda não sabia que se tratava de artes marciais chinesas, mas as achava divertidas.
Aos 10 anos, começou a praticar artes marciais em uma escola de artes marciais chinesas em sua cidade natal. Talentoso e dedicado, ele logo foi selecionado para a seleção brasileira de artes marciais, competindo em diversos campeonatos mundiais de artes marciais tradicionais e conquistando um título mundial aos 16 anos.
Motivado por seu profundo amor pela cultura chinesa, Manacero estudou posteriormente no Instituto Confúcio da Universidade Estadual Paulista. Criado pela Universidade de Hubei em parceria com a Universidade Estadual Paulista, o instituto tem se dedicado há muito tempo ao ensino da língua chinesa e à divulgação da cultura chinesa, construindo uma importante ponte para o intercâmbio cultural.
Na China, a Universidade de Hubei sempre atribuiu grande importância à educação em competência intercultural. A universidade integrou programas culturais tradicionais, como corridas de barco-dragão, danças do dragão e do leão e caligrafia, em seu currículo e sistema de ensino, e tem promovido de forma constante a promoção da cultura tradicional chinesa entre os estudantes internacionais.
Em 2019, Manacero veio para a Universidade de Hubei para estudar chinês. Embora inicialmente tivesse planejado ficar apenas um semestre, logo ficou profundamente impressionado com a rica atmosfera cultural tradicional do campus.
Foi aqui que ele teve contato sistemático com a dança do dragão e decidiu ficar para se dedicar a dominar essa arte.
Como patrimônio cultural imaterial nacional da China, a dança do dragão apresenta uma série de movimentos dinâmicos, como giros, subidas, descidas e saltos, simbolizando bons presságios, paz e felicidade.
A dança do dragão exige trabalho em equipe e uma colaboração extremamente precisa entre nove performers, além de um guia que conduz a esfera, observou Manacero, dizendo que movimento, ritmo e força são igualmente indispensáveis.
Desde o último ano de sua graduação, Manacero assumiu o cargo de treinador, liderando a equipe por um ano e meio. Sob sua orientação, a equipe feminina conquistou o primeiro lugar e a equipe masculina, o terceiro, na categoria de dança do dragão opcional do 17º Campeonato Nacional de Dança do Dragão e do Leão.
Manacero ficou profundamente impressionado com a riqueza da cultura chinesa. Tomando as artes marciais chinesas como exemplo, ele as descreveu como um dos tesouros culturais mais representativos da China, com uma grande variedade de estilos e escolas.
Ao chegar à China, sua compreensão do Kung Fu tornou-se ainda mais profunda. Além do Nanquan, que já praticava no Brasil, ele teve contato com outros estilos de artes marciais, como o Wudang e o Tai Chi. Ele acredita que, além de contribuir para o fortalecimento físico, as artes marciais são também um processo de formação do caráter e de compreensão da cultura.
Morando em Wuhan há vários anos, Manacero se integrou totalmente à vida local, falando chinês fluentemente, apreciando a natureza direta dos moradores de Wuhan e até mesmo aprendendo a jogar o Mahjong típico de Wuhan. Ele se apaixonou profundamente por esta cidade vibrante.
Como testemunha dos intercâmbios culturais entre o Brasil e a China, Manacero já viajou com a equipe de dança do dragão da Universidade de Hubei para países como o Reino Unido, a Polônia e o Brasil. Em 2023, ele se apresentou em São Paulo e Brasília. Agora, ele está se preparando para outra "viagem ao Brasil" em abril deste ano.
Inspirados por Manacero, vários entusiastas brasileiros de Kung Fu começaram a aprender chinês por meio dos Institutos Confúcio e vieram para a China estudar. No ano passado, um colega brasileiro, Marco, veio à Universidade de Hubei para aprender a dança do dragão. Após 10 dias de treinamento intensivo, a habilidade de Marco melhorou muito e se tornou um importante divulgador da cultura da dança do dragão em seu país. Outra colega, Pauline, também seguiu seu exemplo e está estudando na Universidade de Hubei.
Faltando um ano e meio para concluir seu mestrado, Manacero disse que, quer permaneça na China ou retorne ao Brasil, continuará empenhado em promover a amizade entre os dois países, continuando a divulgar artes marciais chinesas, ensinar chinês, ou participar de atividades de intercâmbio cultural. Ele espera, por meio de sua experiência, ajudar mais jovens brasileiros a conhecer a cultura chinesa e, ao mesmo tempo, permitir que os chineses sintam o calor humano e a simpatia dos brasileiros.