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Lançamento de "O Povo Brasileiro" na China fortalece laços culturais entre os dois países

Fonte: Diário do Povo Online    14.04.2026 10h35

O presidente da Fundação Darcy Ribeiro, José Ronaldo Alves da Cunha, profere um discurso na cerimônia do lançamento da versão chinesa de "O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil" .

O lançamento da versão chinesa de "O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil" foi realizado em Beijing na quinta-feira (9), como parte das atividades do Ano Cultural Brasil-China 2026. O evento foi orientado pelo Grupo de Comunicações Internacionais da China (CICG) e pela Embaixada do Brasil na China, organizado pela Editora Blossom e pelo Centro de Publicação e Cultura China-América Latina do Grupo de Publicações Externas da China, e coorganizado pela Fundação Darcy Ribeiro e pelo Instituto Guimarães Rosa.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Povo Online, o presidente da Fundação Darcy Ribeiro, José Ronaldo Alves da Cunha, destacou o significado especial da obra no atual momento das relações bilaterais.

Para José da Cunha, trazer "O Povo Brasileiro" ao público chinês representa "um ato de amor, de fé, de alegria e de encontro". Ele ressaltou que os laços culturais entre os dois países são mais ricos, intensos e perseverantes do que as relações meramente comerciais ou institucionais.

"Estamos trazendo exatamente o povo brasileiro, escrito por um dos maiores intérpretes da civilização brasileira", afirmou.

Ao explicar o conceito de formação do povo brasileiro desenvolvido por Darcy Ribeiro, José da Cunha destacou o processo de miscigenação único no país. Ele relembrou os primeiros 400 mil brasileiros, fruto da relação entre europeus e sociedades indígenas, e a chegada das matrizes africanas, num contexto de violência e perda de identidade.

"Diferentemente do México, onde já existiam povos testemunho constituídos, no Brasil ainda não existia isso. Essa mistura é singular, é única", ponderou ele.

Utilizando “O Povo brasileiro”, e falas do seu autor Darcy Ribeiro, para descrever os brasileiros, ele destacou: "Nós não temos compromisso com o nosso passado, nós temos uma vontade de futuro”, e explicou: “Estamos em formação, e isso é um desafio permanente".

Quanto à tradução da obra, José da Cunha destacou a preocupação da Fundação em transmitir com integridade a mensagem concebida pelo autor da obra, Darcy Ribeiro. "Não queremos produzir uma nova mensagem, queremos que essa mensagem seja a mais íntegra possível", destacou ele.

O presidente da Fundação, que carrega o nome do autor, acredita que o livro possui muitas qualidades, especialmente para a juventude chinesa, pois instiga as pessoas a refletirem sobre outras possibilidades de vivenciar as coisas.

"Darcy morreu jovem, como se fosse um adolescente, sempre querendo mais da vida, tendo um bom apetite da vida", recordou.

Embora ainda não tenha lido o conteúdo completo da obra por não dominar o chinês, José da Cunha elogiou a construção gráfica da obra, classificando-a como "perfeita" e "maravilhosa". Ele destacou o cuidado com as referências teóricas e a delicadeza das imagens de Darcy Ribeiro em várias situações.

"Ficamos muito felizes com a editora, com o trabalho da tradutora e com o resultado do livro. Vou levar alguns exemplares ao Brasil para presentear o embaixador chinês e o cônsul chinês", afirmou.

Após o lançamento, a Fundação Darcy Ribeiro percorrerá oito universidades chinesas para divulgar a obra, incluindo instituições em Shanghai, Guangzhou, Hangzhou, Xi'an e Guangdong, divulgou José da Cunha, acrescentando que serão feitas doações à duas bibliotecas importantes da China.

Questionado sobre a possibilidade de promover obras chinesas no Brasil, ele respondeu: "Se pudéssemos receber da China uma curadoria dos melhores títulos contemporâneos, faríamos isso com o maior prazer do mundo. Temos todo interesse em fazer o caminho de dois sentidos, culturais."

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