
Um robô humanoide durante o teste
Uma competição única, que mescla tecnologia e resistência, a Meia Maratona de Robôs Humanoides de Yizhuang em Beijing de 2026, está prestes a ter início no próximo domingo (19). Ao contrário das maratonas convencionais, as regras deste evento têm atraído grande atenção: o primeiro robô a cruzar a linha de chegada não é, necessariamente, o campeão definitivo.
Cai Jizheng, diretor do Departamento da Indústria de Robótica e Manufatura Inteligente da Área de Desenvolvimento Econômico-Tecnológico de Beijing, explicou que a pontuação final válida é calculada com base em uma avaliação abrangente de três fatores: o tempo líquido de conclusão, um coeficiente ponderado baseado no modo de controle utilizado e quaisquer penalidades de tempo acumuladas durante a corrida.
Equipes que utilizam operação por controle remoto terão seus resultados multiplicados por um coeficiente de 1,2, além disso, infrações como a troca não autorizada de baterias ou a substituição da unidade robótica inteira durante a corrida acarretarão penalidades de tempo adicionais. Esse desenho específico das regras confere à competição atual tanto suspense quanto um alto grau de sofisticação tecnológica.
Para garantir a execução impecável do evento principal, mais de 70 equipes de robôs humanoides realizaram um teste crucial de "corrida noturna" na seção do Parque Nanhaizi, em Yizhuang, nas primeiras horas de domingo (12). O teste concentrou-se, principalmente, na adaptabilidade a terrenos complexos, na confiabilidade dos sistemas de gestão da corrida e nas capacidades operacionais autônomas dos robôs.
Durante os testes, novos desafios, como trechos contínuos em descida e curvas acentuadas de 90 graus, foram introduzidos para avaliar rigorosamente a estabilidade dos robôs sob condições de iluminação noturna.
Em comparação com o evento inaugural realizado em 2025, o conjunto de equipes competidoras deste ano demonstra uma mudança significativa: a tecnologia de navegação autônoma alcançou uma adoção em larga escala, com as equipes autônomas representando agora 40% dos participantes.
As regras da corrida também foram ponderadas para favorecer a tecnologia autônoma; as equipes autônomas são pontuadas com base em seu desempenho em tempo real, enquanto os resultados das equipes controladas remotamente estão sujeitos ao já mencionado coeficiente multiplicador.
No entanto, a fase de testes também expôs deficiências comuns a todo o setor: durante corridas de longa distância, problemas como o superaquecimento das articulações dos robôs, a instabilidade da marcha e a autonomia insuficiente da bateria permanecem claramente evidentes. Os robôs da classe de 30 quilogramas ainda necessitam de uma troca de bateria para completar a distância total de 21 quilômetros, o que evidencia a densidade energética das baterias e o consumo algorítmico de energia como os principais gargalos.
Essa "maratona" não é apenas uma competição, mas, o que é ainda mais importante, um campo de testes vital para impulsionar o avanço iterativo da indústria de robôs humanoides, fornecendo suporte de dados crítico para a transição de tecnologias do laboratório para aplicações práticas no mundo real, afirmou Liang Liang, secretário-geral adjunto do Instituto Chinês de Eletrônica.
O evento serve como uma plataforma inestimável para a prática de engenharia nas universidades, auxiliando, assim, na formação dos talentos práticos e qualificados de que a indústria necessita com urgência, destacou Liang Liang.