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Cooperação espacial China-Brasil explora diversos domínios e conquista resultados frutíferos em quase 40 anos

Fonte: Xinhua    27.04.2026 15h28

A cooperação espacial entre a China e o Brasil, amplamente considerada um modelo de cooperação Sul-Sul no setor de alta tecnologia, tem alcançado realizações frutuosas em campos diversificados ao longo dos anos, constituindo um importante testemunho do empenho contínuo da China em promover a abertura e a cooperação no setor espacial.

Este ano marca o 70º aniversário da trajetória do programa espacial chinês e também o início do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) da China, no qual o conceito de "potência espacial" foi incluído pela primeira vez, tornando-se um pilar estratégico da construção da modernização chinesa.

Como país convidado de honra do Dia do Espaço da China deste ano, em 24 de abril, o Brasil tem mantido uma cooperação amigável com a China no setor espacial há quase 40 anos e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou uma mensagem de felicitação, expressando o compromisso do Brasil de avançar e aprofundar a cooperação sino-brasileira na área espacial.

No evento realizado em Chengdu, capital da Província de Sichuan, no sudoeste da China, Rubens Diniz Tavares, Chefe de Gabinete da Ministra de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), afirmou que a cooperação espacial entre os dois países é singular. "Nunca países em desenvolvimento haviam se reunido para cooperar em uma área de fronteira tão importante como a área espacial", acrescentou ele.

SATÉLITES DE RECURSOS TERRESTRES

Um dos exemplos mais emblemáticos da cooperação sino-brasileira é o programa de Satélite de Recursos Terrestres China-Brasil (CBERS, em inglês).

Iniciado em 1988, o programa CBERS estabeleceu um precedente bem-sucedido para a cooperação espacial entre países em desenvolvimento e tem servido ao desenvolvimento econômico e ao progresso social de ambas as nações.

Em 2025, os dois países assinaram uma Declaração Conjunta de Intenções para compartilhar dados espaciais com os países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) no âmbito do programa CBERS, a fim de contribuir para a proteção ambiental, o alerta precoce de desastres e a resposta às mudanças climáticas na região, estendendo os benefícios da cooperação a regiões em desenvolvimento mais amplas.

Até o momento, seis satélites do programa foram desenvolvidos em conjunto e lançados com sucesso. Os dois países estão trabalhando com o aprimoramento das soluções técnicas para o CBERS-5 e o desenvolvimento planejado do CBERS-6, disse Liu Yunfeng, vice-diretor do departamento de engenharia de sistemas da Administração Espacial Nacional da China.

"O CBERS-5 é um avanço importante e eleva a cooperação sino-brasileira a altos patamares", de acordo com Rubens Diniz Tavares, acrescentando que o satélite permitirá que o Brasil alcance e desenvolva a capacidade de construir um satélite geoestacionário.

INTERNET VIA SATÉLITE COMERCIAL

A Shanghai Spacesail Technologies Co., Ltd., uma companhia chinesa de internet via satélite, e a Telecomunicações Brasileiras S.A., Telebras, assinaram um memorando de entendimento em novembro de 2024, no qual a Spacesail fornecerá serviços de comunicação via satélite para o Brasil e acesso à Internet de banda larga para as regiões remotas e carentes do país.

Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) do Brasil anunciou a autorização para a operação da constelação de satélites comerciais de baixa órbita SpaceSail no Brasil, com até 324 satélites e a validade até julho de 2031.

Isso marca que os preparativos para as operações comerciais da Constelação Spacesail no Brasil estão praticamente concluídos, e o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a abrir seu mercado para a Constelação Spacesail, cuja construção de rede comercial foi lançada oficialmente em agosto de 2024.

O setor espacial comercial foi incluído no Relatório de Trabalho do Governo da China por dois anos consecutivos desde 2024 e classificado como um novo motor de crescimento. Em 2026, o relatório destacou pela primeira vez a aceleração do desenvolvimento da internet via satélite.

Conforme Liu, o desenvolvimento do sistema de internet via satélite da China acelerou em todas as linhas, com linhas de produção em larga escala para a implantação de constelações avançando rapidamente.

EXPLORAÇÃO DO ESPAÇO PROFUNDO

Em 2023, o desenvolvimento do radiotelescópio BINGO foi incluído na Declaração Conjunta entre a China e o Brasil, durante a visita de Estado do presidente brasileiro Lula à China.

O BINGO, como primeiro radiotelescópio do mundo dedicado à observação de energia escura, está prestes a entrar em operação este ano no Brasil, informou Liu Qiaoquan, presidente da Universidade de Yangzhou, na Província de Jiangsu, no leste da China, uma das instituições participantes do projeto.

Composto por instituições de diversos países, o BINGO tem como principal motivação a de ser o primeiro telescópio a detectar Oscilações Acústicas de Bárion (BAO, em inglês) na banda de rádio do espectro eletromagnético, mais especificamente entre 980 MHz e 1260 MHz, segundo o MCTI.

No ano passado, a estrutura principal do radiotelescópio foi transportada para a Paraíba, no Brasil, para integração e depuração no local, com conclusão prevista para 2026. Quando concluído, o BINGO será o maior radiotelescópio na América do Sul.

Além do BINGO, a China e o Brasil fecharam, no final de 2025, um acordo de cooperação para a criação de um laboratório espacial conjunto, voltado ao desenvolvimento de tecnologias para observação astronômica, radioastronomia e exploração do espaço profundo.

Durante a visita de Estado de Lula à China em 2023, os dois países também assinaram o Plano de Cooperação Espacial 2023-2032.

O Brasil observa a parceria com a China de forma muito produtiva, destacou Rubens Diniz Tavares, acrescentando que o país tem explorado em conjunto com as autoridades chinesas em várias áreas e que as duas partes terão mais novidades na cooperação espacial.

Seja promovendo a aplicação comercial da tecnologia espacial, realizando em conjunto as explorações do espaço profundo ou construindo as infraestruturas espaciais em parceria, as práticas de abertura e compartilhamento do programa espacial chinês comprovam que somente unindo forças é que o setor espacial poderá servir melhor a toda a humanidade, ressaltou Liu Yunfeng.

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