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Jato C919 de fabricação nacional conquista os céus

Fonte: Diário do Povo Online    09.05.2026 10h15

O jato de fuselagem estreita C919, desenvolvido internamente pela China, entrou numa nova fase de operações comerciais em escala, afirmaram analistas, após a aeronave mais do que dobrar seu volume mensal de voos e atingir taxas de utilização que se aproximam das de seus rivais ocidentais, nove anos após seu voo inaugural.

Dados operacionais compilados pela plataforma chinesa de análise de aviação civil Flight Master mostraram que o C919 completou 3.190 voos em abril, representando um aumento anual de 117,9%, enquanto algumas aeronaves registraram até 10,7 horas de voo por dia, aproximando-se de níveis de utilização comparáveis ​​aos de jatos de fuselagem estreita já consolidados, como as famílias Boeing 737 e Airbus A320.

A aeronave celebrou, na terça-feira (5), o nono aniversário de seu primeiro voo. Até 30 de abril, o C919 havia completado mais de 42.000 voos comerciais de passageiros desde que entrou em serviço.

O jato, fabricado pela Commercial Aircraft Corp of China, realizou seu primeiro voo de teste em 5 de maio de 2017. O primeiro C919 foi entregue em dezembro de 2022 e entrou oficialmente em serviço comercial em maio de 2023, com um voo de Shanghai para Beijing.

A malha de rotas também tem se expandido de forma constante. Desde a sua introdução, o C919 conectou 29 aeroportos, com 28 na parte continental da China e um na Região Administrativa Especial de Hong Kong.

A expansão da frota está reforçando esse crescimento. Até o final de abril, as três maiores companhias aéreas domésticas — China Eastern Airlines, Air China e China Southern Airlines — operavam 15, 11 e 10 aeronaves C919, respectivamente, ajudando a acelerar a inserção do jato no serviço comercial convencional.

"Mais de 42.000 voos comerciais e um crescimento mensal de três dígitos são marcos altamente simbólicos. O C919 passou, essencialmente, de operações de teste para uma nova etapa de operações comerciais rotineiras e em escala", disse Zhu Keli, diretor-fundador do Instituto de Nova Economia da China.

As métricas operacionais indicam uma melhoria na eficiência. Desde o início de 2026, 88,5% dos voos do C919 operaram pelo menos quatro trechos por dia, informou a Flight Master.

Zhu afirmou que os dados operacionais demonstraram que a segurança, a confiabilidade e o desempenho econômico do jato estão sendo cada vez mais reconhecidos, tanto pelas companhias aéreas quanto pelos passageiros.

"A taxa de utilização já se aproxima daquela dos principais aviões internacionais de fuselagem estreita, sugerindo que o suporte de manutenção, o escalonamento de tripulações e os sistemas de serviços em terra estão se tornando mais maduros", acrescentou ele.

No entanto, Zhu ressaltou que ainda persistem desafios, incluindo vulnerabilidades na cadeia de suprimentos, escassez de pessoal de manutenção experiente e a contínua dependência de componentes importados para alguns sistemas essenciais.

Analistas do setor afirmaram que o ritmo de produção da aeronave deverá acelerar nos próximos anos. O programa está entrando numa fase gradual de intensificação da produção, à medida que as cadeias de suprimentos se estabilizam, disse Dan Taylor, chefe de consultoria do IBA Group, uma consultoria de aviação sediada no Reino Unido.

O IBA prevê que as entregas do C919 possam atingir cerca de 28 aeronaves em 2026, aumentando ainda mais conforme a capacidade de fabricação se expande, embora a certificação internacional e as restrições na cadeia de suprimentos continuem sendo desafios fundamentais.

Até o final de 2025, a COMAC havia entregue 32 aeronaves C919, de acordo com a Flight Master.

O perfil da aeronave também está ganhando destaque internacionalmente. No Singapore Airshow de 2026, realizado em fevereiro, o C919 realizou voos de demonstração e foi exibido ao lado de outras aeronaves da COMAC, enquanto a empresa buscava consolidar seu reconhecimento no Sudeste Asiático.

Olhando para o futuro, Zhu afirmou que é provável que o C919 evolua de uma aeronave complementar para um dos principais pilares da frota doméstica chinesa de aviões de fuselagem estreita ao longo dos próximos três a cinco anos, especialmente em rotas de alta densidade com distâncias entre 1.000 e 3.000 quilômetros.

Ele acrescentou que, embora seja improvável que a aeronave desloque a Airbus e a Boeing globalmente no curto prazo, ela poderá ajudar gradualmente a romper o antigo duopólio no mercado chinês de aeronaves de corredor único, além de expandir sua presença em mercados emergentes no Sudeste Asiático, na África e na América Latina.

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