Em 27 de maio, foi realizado em Beijing o Fórum de Alto Nível sobre Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026. Neste ano, o evento teve como tema “Unindo Forças Globais para Promover a Redução da Pobreza”, reunindo representantes de mais de 40 países e regiões, organizações internacionais e renomados especialistas para discutir o assunto. Os avanços da China na redução da pobreza estiveram entre os principais focos de atenção. Vamos observar essa questão a partir de três perspectivas.
Perspectiva 1: Um Conjunto de Dados
Durante o fórum, uma exposição intitulada “Erradicação da Pobreza Extrema e Avanço rumo à Revitalização Rural Integral” atraiu a atenção de numerosos participantes. Uma série de dados retrata as transformações ocorridas nas áreas rurais da China: desde o início da campanha nacional de combate à pobreza, a população rural em situação de pobreza diminuiu de 98,99 milhões para zero, e todos os 832 distritos anteriormente pobres deixaram essa condição.
“As conquistas da China na redução da pobreza são impressionantes e constituem um exemplo para o mundo”, afirmou Stephen Jackson, coordenador residente do Sistema das Nações Unidas na China.
Ao longo do período de transição de cinco anos, a renda disponível per capita dos residentes rurais das áreas que superaram a pobreza aumentou de 14.051 yuans para 18.627 yuans. Os 832 distritos que saíram da pobreza desenvolveram entre dois e três setores econômicos estratégicos, enquanto o número de pessoas empregadas oriundas da população anteriormente pobre manteve-se estável em mais de 30 milhões.
O número de políticas nacionais de apoio e articulação aumentou de uma para 38, com investimentos acumulados do governo central que totalizaram 850,5 bilhões de yuans. Jackson destacou ainda que a China incluiu em seu 15º Plano Quinquenal medidas firmes para consolidar e ampliar continuamente os resultados obtidos na luta contra a pobreza.
Perspectiva 2: Uma Questão
A experiência chinesa de redução da pobreza pode ser aplicada a outros países em desenvolvimento?
O professor Li Xiaoyun, da Universidade Agrícola da China, compartilhou exemplos de projetos implementados na Tanzânia, incluindo a promoção do cultivo de milho em alta densidade e a utilização de pequenos moinhos manuais de pedra. Essas tecnologias práticas, caracterizadas por baixa barreira de acesso, baixo custo e ampla participação, foram bem recebidas localmente, aumentando significativamente a produtividade e melhorando os níveis de nutrição infantil.
Da redução da pobreza na China ao desenvolvimento global, os participantes do fórum concordaram, em geral, que as práticas e experiências chinesas oferecem ao mundo importantes referências e soluções para o desenvolvimento.
Renato Domite Godinho, vice-presidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza do Brasil, destacou: “Nas práticas chinesas de redução da pobreza, podemos observar a precisão e a consistência de sua abordagem, bem como sua capacidade de identificar cuidadosamente o potencial de desenvolvimento de cada província, distrito, aldeia e até mesmo de cada família. A redução da pobreza não segue uma fórmula única, mas é adaptada às condições locais e implementada de forma direcionada. Essa experiência merece ser amplamente difundida e adaptada em diferentes partes do mundo.”
Nos últimos 40 anos, mais de 800 milhões de pessoas na China saíram da pobreza, uma conquista histórica de enorme relevância. A China demonstrou ao mundo que a pobreza pode ser superada quando há visão de longo prazo, continuidade das políticas públicas e ações concretas, afirmou Mariano Assanami Sabino, vice-primeiro-ministro e ministro coordenador dos Assuntos Sociais e ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária do Timor-Leste.
Perspectiva 3: Uma Aliança
Em 27 de maio, foi oficialmente criada a Aliança Global para a Redução da Pobreza e o Desenvolvimento, iniciativa lançada conjuntamente pela China, outros 53 países e nove organizações internacionais.
A aliança defende a adoção de medidas direcionadas para erradicar todas as formas de pobreza e incentiva seus membros a fortalecer a capacitação institucional e ampliar a cooperação prática.
A posição da China em relação à nova aliança é clara: o país apoiará ativamente suas atividades, promovendo o diálogo político, a demonstração tecnológica e a capacitação de recursos humanos, além de desenvolver uma série de projetos de cooperação de pequena escala, mas de grande impacto, para ajudar os países em desenvolvimento a fortalecer suas capacidades de redução da pobreza.
“Acreditamos que a China possui ampla experiência e capacidade institucional sólida, podendo desempenhar um papel de liderança e servir de exemplo na cooperação global para a redução da pobreza”, afirmou Sabino, acrescentando que o Timor-Leste está disposto a participar ativamente e contribuir de forma construtiva para o futuro trabalho da aliança.