Em junho, as chuvas são relativamente escassas em Timor-Leste, e os campos, após a colheita principal de arroz finalizada, aguardam a próxima estação chuvosa para dar início a um novo ciclo de cultivo.
A agricultura, no entanto, desempenha um papel fundamental no país. Cerca de 60% da sua população está envolvida na produção agrícola, mas com grande parte dos alimentos sendo importados, e o arroz representa 45% do total das importações de cereais em Timor-Leste, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
É neste cenário que a cooperação agrícola entre a China e Timor-Leste vem plantando sementes de mudança.
Durante sua recente visita à China para participar do Fórum Global de Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026, Mariano Assanami Sabino, vice-primeiro-ministro, ministro coordenador dos Assuntos Sociais e ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária de Timor-Leste, elogiou os progressos sólidos alcançados na cooperação bilateral para a redução da pobreza e o desenvolvimento rural.
Ao longo dos anos, a China tem sido uma parceira firme ao lado de Timor-Leste.
Como medida para concretizar a cooperação agrícola bilateral, em outubro de 2023, foi assinado um acordo de implementação da fase II do Projeto de Cooperação em Tecnologia Agrícola China-Timor-Leste, com o envio de especialistas agrícolas do Centro de Pesquisa de Arroz Híbrido de Hunan (HHRRC, em inglês) a Timor-Leste.
Após investigações amplas e aprofundadas no campo, a equipe chinesa constatou que diversas regiões locais possuem condições naturais favoráveis, como luz solar, calor e solo, para o desenvolvimento agrícola.
Porém, com a infraestrutura precária, tal como sistemas ineficazes de drenagem e de irrigação, e a insuficiente manutenção das máquinas agrícolas, diversas regiões de Timor-Leste enfrentam a baixa produtividade do arroz.
Diante disso, Zhang Changqing, especialista chinês em arroz, e seus colegas promoveram a criação de uma cooperativa de cultivo de arroz com 42 membros e que abrange uma área de cultivo de 40,4 hectares, na aldeia de Obrato, em Manatuto.
O projeto adota uma abordagem gradual e segmentada, destacaram Zhang e outros especialistas chineses. Enquanto os agricultores recebem treinamentos com foco em técnicas práticas, os técnicos agrícolas locais vêm sendo capacitados com explicações detalhadas sobre os métodos chineses, bem como sua filosofia.
Para tal, múltiplos programas de formação já foram realizados, contando com quase 600 participantes, para fornecer orientações sobre diversos temas, incluindo o cultivo de arroz em terras secas, o teste de eficiência de fertilizantes, a previsão e o controle de pragas e doenças, entre outros.
Em 2025, a produtividade média dessa cooperativa ultrapassou 8 mil quilos por hectare, 3,55 vezes superior à das variedades locais predominantes e com métodos tradicionais, conforme os dados.
Hoje, a tecnologia chinesa de arroz híbrido está se enraizando e florescendo em solo timorense, contribuindo com soluções concretas para a melhoria da segurança alimentar, bem como a redução da pobreza no local, da mesma forma que os laços China-Timor-Leste avançam constantemente.