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Ministra angolana: experiência chinesa de redução da pobreza destaca-se pela organização e continuidade das políticas públicas

Fonte: Diário do Povo Online    11.06.2026 09h23

Por Fu Yuanyuan

A ministra das Pescas e Recursos Marinhos de Angola, Carmen dos Santos, afirmou que a experiência da China na erradicação da pobreza e no desenvolvimento rural constitui uma importante referência para o mundo, destacando sobretudo a capacidade de organização, a continuidade das políticas públicas e os eficazes mecanismos de prevenção da reincidência de pobreza.

A ministra das Pescas e Recursos Marinhos de Angola, Carmen dos Santos, participou do Fórum de Alto Nível sobre Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026, em 27 de maio de 2026. Foto fornecida pela entrevistada.

As declarações constam de uma entrevista por escrito ao Diário do Povo Online, à margem do Fórum de Alto Nível sobre Redução da Pobreza e Desenvolvimento 2026, realizado recentemente em Beijing.

Segundo a ministra, a China demonstrou ao mundo que é possível eliminar simultaneamente a pobreza e a fome por meio de políticas estruturadas e de longo prazo. “A China levou 40 anos para erradicar a pobreza e a fome e dar dignidade ao seu povo. O grande ensinamento da experiência chinesa reside na organização, na consistência e na continuidade das suas políticas”, salientou.

Carmen dos Santos refere que o país asiático implementou mecanismos de monitorização até ao nível comunitário, permitindo identificar rapidamente casos de recaída na pobreza e acionar medidas de apoio adequadas. Para a integrante do governo, essa prática constitui uma referência valiosa para outros países.

Durante o fórum, foi oficialmente lançada a Aliança Global para a Redução da Pobreza e o Desenvolvimento, uma iniciativa promovida conjuntamente pela China, 53 países e nove organizações internacionais. Carmen dos Santos afirmou que Angola pretende participar ativamente na plataforma, contribuindo com experiências e estudos de caso, ao mesmo tempo que procura aprofundar o intercâmbio com países como a China na formulação e implementação de políticas públicas de combate à pobreza. Segundo a dirigente, a cooperação multilateral proporcionada pela iniciativa poderá trazer benefícios concretos para os países participantes.

Além de participar no fórum, a ministra manteve uma série de encontros dedicados à cooperação bilateral no setor das pescas. Durante a visita, Angola e China assinaram um novo instrumento de cooperação no setor das pescas, reforçando os mecanismos de coordenação entre os dois países. Segundo ela, a cooperação deverá concentrar-se principalmente na pesca de captura e na aquicultura.

A titular da pasta das pescas e recursos marinhos salientou que a China é atualmente uma referência mundial em aquicultura e que a experiência chinesa poderá contribuir para acelerar o desenvolvimento do setor em Angola. Com o crescimento da população angolana, acrescentou, a produção aquícola desempenha um papel cada vez mais importante na segurança alimentar e no fornecimento de proteína de qualidade.

A entrevistada considerou também positiva a decisão chinesa de conceder tarifa zero a todos os países africanos com relações diplomáticas com Beijing. A medida poderá criar novas oportunidades para ampliar as exportações angolanas para o mercado chinês, especialmente após a conclusão dos processos de certificação sanitária e de qualidade exigidos para a entrada de produtos pesqueiros, refere.

No âmbito do Ano dos Intercâmbios Humanísticos China-África, Carmen dos Santos referiu que um número crescente de jovens angolanos acompanha com interesse o desenvolvimento económico, tecnológico e cultural da China. Na sua opinião, as novas tecnologias de comunicação e tradução estão a atenuar as barreiras linguísticas e a aproximar cada vez mais as sociedades dos dois países.

A ministra manifestou ainda o desejo de ampliar os intercâmbios entre os dois países, permitindo que mais angolanos conheçam a China e que mais parceiros chineses visitem Angola para conhecer o país e a sua cultura. “Culturalmente, economicamente e socialmente, é aí que está o futuro”, concluiu.

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