O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira novos dados oficiais que mostram uma redução significativa no desmatamento nas florestas tropicais da Amazônia e do Cerrado, e afirmou que os enviará ao governo dos Estados Unidos em resposta às ameaças de novas tarifas comerciais.
Lula visitou o Observatório Regional da Amazônia (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (ACTO), organização composta por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
Segundo dados oficiais, foram registrados 2.189 km² de área desmatada na Amazônia entre agosto de 2025 e maio de 2026, o menor número da série histórica registrada pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e uma redução de 31,4% em comparação com o período de 2024-2025.
Enquanto isso, 4.208 km² de área desmatada foram registrados no Cerrado entre agosto de 2025 e maio de 2026, uma redução de 8,2% em comparação com o período anterior.
Lula afirmou que enviará os dados sobre o desmatamento da Amazônia ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para contestar a tarifa proposta de 25% sobre produtos brasileiros, justificada, entre outros motivos, pelo suposto aumento do desmatamento no país.
"Esta não é uma decisão de nenhuma COP, não é uma decisão da ONU, esta é uma decisão do nosso governo", disse o presidente a respeito da meta de desmatamento zero. "Vamos ter que pegar esses dados e enviá-los ao Departamento de Comércio dos EUA, que usa a questão do desmatamento como justificativa para penalizar o Brasil com impostos mais altos, e vamos comparar o que está acontecendo no Brasil com o que está acontecendo nos Estados Unidos", declarou.
Lula reiterou ainda que não deseja uma guerra com os Estados Unidos e que busca um embate de narrativas com o presidente americano Donald Trump.
"Não queremos conflitos. Queremos respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para ambos os países", afirmou.
"Minha luta é demonstrar que você (Trump) foi eleito presidente dos Estados Unidos, e eu respeito o voto do povo americano. Mas você não foi eleito para ser o imperador do mundo, para poder dizer o que quiser e as pessoas terem que se calar", enfatizou.